Num segmento de SUV médios saturado de opções e promessas de dinamismo, o a segunda geração C5 Aircross regressa para recordar qual é a sua vocação primordial. Sem rodeios tecnológicos exóticos nem propostas revolucionárias, aposta tudo numa receita que parecia esquecida: o bem-estar absoluto. E fá-lo a um preço que obriga a concorrência a “suar”.

A paisagem dos SUV médios está em constante ebulição com novas marcas e tecnologias a surgirem a um ritmo alucinante. No meio deste turbilhão, a Citroën apresenta a segunda geração do seu C5 Aircross não como um disruptor, mas como um afirmador de valores. Herdeiro de um modelo que foi uma agradável surpresa em 2017, este novo Aircross cresce, moderniza-se e estreia motorizações elétricas, mas mantém o ADN que o distinguiu: uma quase obsessão pelo conforto. Numa comparação direta com rivais como o Ford Kuga, o Renault Austral ou o omnipresente Volkswagen Tiguan, será que esta filosofia ainda encontra lugar?
Mais espaço
Uma das suas maiores virtudes é, sem dúvida, o espaço e a funcionalidade. Com uma nova abordagem de estilo, que vai beber muito do protótipo apresentado no Salão Automóvel de Paris em 2024, incluindo as inéditas Citroën Light Wings no lugar das óticas traseiras – com três elementos que contribuem ativamente para a aerodinâmica –, a grande jogada técnica é a mudança para a plataforma STLA Medium do grupo Stellantis, que não só permite ao modelo francês crescer em todas as direções, com 4,65 metros de comprimento (+16 cm) e uma distância entre eixos de 2,78 metros (+6 cm), como liberta espaço de forma inteligente.
Este crescimento foi integralmente canalizado para o habitáculo, resultando num espaço para os passageiros traseiros verdadeiramente generoso e numa bagageira de 651 litros se remover a prateleira superior, embora mantê-la crie uma área de carga plana e útil.
O design, agora mais assertivo e com uma identidade luminosa única, é assim a capa de uma profunda transformação técnica orientada para o bem-estar. A posição de condução é excelente, com um banco dianteiro muito confortável e um volante bem ajustado, com topos achatados e aro largo, a encher a mão.
No capítulo da tecnologia, há um salto geracional. O sistema multimédia ganha um ecrã tátil vertical de 13”, de funcionamento intuitivo e razoavelmente ágil, com Android Auto e Apple CarPlay sem fios. O painel de instrumentos digital (10”) é claro, embora minimalista.
Contudo, nem tudo são rosas. Para atingir um preço de entrada agressivo, a Citroën comprometeu nos materiais. O tablier e as portas são dominados por plásticos duros, embora bem montados. A marca tenta disfarçar com combinações de texturas e cores, criando um ambiente visualmente interessante, mas que ao toque revela uma sensação de qualidade média, aquém de alguns concorrentes.

Suavidade na estrada
É aqui que o C5 Aircross se redime e se define. A Citroën manteve a sua missão de oferecer o SUV mais confortável do segmento, e conseguiu-o com louvor. A suspensão, com os seus amortecedores de batentes hidráulicos progressivos, para evitar reações bruscas da carroçaria, é de série e absolutamente exímia ao isolar os ocupantes das irregularidades do pavimento. Em estradas degradadas ou em paralelo, a serenidade a bordo é notável, rivalizando com carros de segmentos superiores.
A motorização Hybrid 145 está perfeitamente alinhada com este carácter. Poder-se-ia pensar que um motor a gasolina de 1.2 litros e três cilindros teria dificuldades num SUV com tamanho e peso. Graças ao motor elétrico (48V) que fornece binário extra e a uma transmissão automática de dupla embraiagem que gosta de esticar as mudanças e mudar de forma rápida e suave, este Aircross “mild hybrid” parece mais vivo do que os seus 11,2 segundos dos 0 aos 100 km/h sugerem.

Os 145 CV totais (136 CV gasolina + 28 CV elétricos) são suficientes para uma condução descontraída, com boa resposta a baixas rotações e a progressão é serena, com baixo ruído e eficiência. Em modo Eco, permite mesmo pequenos deslocamentos apenas em elétrico. É uma mecânica ideal para o dia-a-dia urbano, com consumos contidos: o computador de bordo afirma uma média de 6,1 l/100 km. Isto sugere que os 5,4 l/100 km oficiais possam até ser alcançáveis, usando e abusando dessa sua faceta elétrica.
No que toca a dinâmica, o C5 Aircross é transparente: não é um carro de curvas. A direção, embora mais precisa do que na geração anterior, comunica pouco. A inclinação “corporal” é bem controlada, mas percetível.
Texto: Vítor Mendes Fotos: Paulo Calisto

CONCLUSÃO
Embora tenhamos apreciado o C5 Aircross nas versões elétrica e híbrida plug-in quando o guiámos durante a apresentação internacional à imprensa, é provável que esta variante híbrida ligeira se revele a mais acertada para a maioria. Oferece bons consumos, desempenho adequado e muito do refinamento do carro elétrico, especialmente quando a unidade elétrica assume a propulsão. O Aircross não tem qualquer ambição desportiva, é um SUV espaçoso, confortável e de boa relação qualidade-preço que coloca os ocupantes – e o seu bem-estar e segurança – no topo das prioridades.
FICHA TÉCNICA
CITROËN C5 AIRCROSS MAX HYBRID 145
TIPO DE MOTOR Gasolina, 3 cil. em linha, turbo + elétrico (48V)
CILINDRADA 1.199 cm³
POTÊNCIA 145 CV (107 kW)
BINÁRIO MÁXIMO 230 Nm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa automática 6 velocidades
BATERIA Iões de lítio, 0,89 kWh
V. MÁXIMA 201 km/h
ACELERAÇÃO 11,2 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 5,4 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 122 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.652 / 1.870 / 1.660 mm
PNEUS 225/55 R19
PESO 1.629 kg
BAGAGEIRA 651-1.668 l
PREÇO 37.083 €
GAMA DESDE 33.490 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 111,46 €
LANÇAMENTO Setembro de 2025




















