A Porsche vai avançar com a eliminação de cinco mil postos de trabalho até 2035, no âmbito de um vasto programa de redução de custos motivado pela crise que atravessa o setor automóvel.
O anúncio foi feito esta segunda‑feira pela construtora alemã, que garante que o processo será conduzido com “responsabilidade social”, evitando despedimentos compulsivos através de saídas naturais e programas voluntários.
Segundo a empresa, os cortes anunciados surgem, após meses de negociações entre a administração da Porsche e os representantes dos trabalhadores, incluindo a poderosa IG Metall, que asseguram que o acordo garante “emprego e proteção até ao final de 2035”, excluindo despedimentos por motivos económicos durante esse período.
Apesar da austeridade, a Porsche compromete‑se a investir 2,1 mil milhões de euros nas unidades de Zuffenhausen e Weissach, no sudoeste da Alemanha. Ainda assim, o foco é claramente a poupança: os aumentos salariais ficam adiados até 2035, e os quadros superiores renunciam a aumentos em 2027 e 2028.
Estas medidas seguem‑se a um primeiro pacote de 3.900 cortes acordado em fevereiro de 2025 e a outros 500 anunciados este ano pelo CEO Michael Leiters, relacionados com o encerramento de subsidiárias. A Porsche tinha 42.600 trabalhadores no final de 2024.
Ao assumir funções no início do ano, Leiters foi encarregado de reformular o negócio, depois de as vendas no outrora lucrativo mercado chinês terem colapsado e a estratégia elétrica da marca ter estagnado.
A reestruturação surge num momento delicado para a marca. No primeiro semestre de 2026, a Porsche — filial da VW — vendeu 122.306 automóveis, uma queda de 16% face ao mesmo período de 2025, com recuos registados em todas as regiões.
Leia também:















