A Mansory voltou a mexer onde poucos ousariam: desta vez no radical Lamborghini Huracán Sterrato. Melhorar um modelo pensado para unir superdesportivo e aventura parece tarefa improvável, mas o preparador alemão acredita ter encontrado margem para elevar o impacto visual — mesmo num dos Lamborghini mais ousados da era moderna.

O pacote criado pela Mansory recorre a peças em carbono forjado, aplicadas no pára‑choques dianteiro, nas molduras das entradas de ar, num novo splitter com lâminas laterais pronunciadas, em elementos posicionados antes das rodas traseiras, em aplicações na secção posterior e numa asa de dimensões generosas. Ao lado de um Sterrato de fábrica, o resultado aproxima-se mais de um carro de pista do que do conceito original, que sempre privilegiou a versatilidade fora do asfalto.
A distância ao solo mantém-se praticamente inalterada, reforçando a ideia de que esta preparação é sobretudo estética. As novas jantes FO.6, exclusivas da Mansory, integram-se tão bem no conjunto que só um olhar atento as distingue das originais. Combinadas com os elementos em carbono, tornam o Sterrato mais agressivo.
No interior, a transformação é mais evidente: pele preta, Alcantara verde, costuras vermelhas e debruns contrastantes criam um ambiente ainda mais teatral. Os logótipos Mansory surgem nos apoios de cabeça, nos cintos, no volante, na consola central e noutros detalhes, acompanhados por aplicações adicionais em carbono.
A parte mecânica, porém, levanta questões. A Mansory afirma ter aumentado a potência, mas divulga 610 cv e 560 Nm — exatamente os mesmos valores do V10 atmosférico de 5,2 litros do Sterrato de fábrica. A aceleração dos 0–100 km/h em 3,3 segundos é apresentada como uma melhoria de uma décima face ao modelo original, mas a velocidade máxima anunciada, cerca de 260 km/h, volta a coincidir com os dados oficiais da Lamborghini. Ou os números foram publicados de forma incorreta, ou não existe qualquer ganho real de desempenho.

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