A Stellantis atualizou o calendário de lançamentos europeus até 2030 e, sob a marca Lancia, surge agora apenas o Gamma. O Delta, antes previsto para 2028, desapareceu do plano oficial — um sinal relevante, embora não constitua um cancelamento declarado.
A ausência foi notada na nova apresentação da Stellantis sobre os lançamentos europeus até ao final da década, o não equivale ao fim do projeto, mas indica que o compacto elétrico deixou de ser uma prioridade imediata dentro do grupo.
Um projeto que já teve contornos definidos
Até há pouco tempo, o futuro Delta parecia mais concreto. O então responsável pela Lancia, Luca Napolitano, descrevia-o como um modelo totalmente elétrico, integrado numa gama de três propostas: Ypsilon, Gamma (na imagem) e Delta. Discutia‑se um comprimento próximo dos 4,4 metros e até uma variante HF Integrale, mas a plataforma, o posicionamento e as especificações nunca chegaram a ser oficialmente confirmados.

A retirada agora do Delta do plano coincide com uma reorganização interna: na estratégia FaSTLAne 2030, a Lancia passa a integrar o grupo de marcas especializadas sob gestão da FIAT, enquanto 70% do investimento em produto é canalizado para quatro marcas globais e para a divisão Pro One. Este realinhamento não prova o fim do Delta, mas ajuda a explicar porque um projeto de nicho e potencialmente dispendioso pode ter sido colocado em segundo plano.
Possível transferência para a Alfa Romeo
Entre analistas e imprensa especializada circula uma hipótese adicional: o conceito do compacto elétrico poderá ter sido redirecionado para a Alfa Romeo, que tem prometido um novo hatchback do segmento C — sucessor espiritual do 147 e do Giulietta.
A coincidência de prazos e posicionamento alimenta a especulação, mas não existe confirmação de uma transferência direta de desenvolvimento. Por agora, trata‑se apenas de uma leitura editorial baseada na convergência de necessidades dentro da Stellantis.
Com o Delta fora do horizonte imediato, a Lancia concentra esforços no Gamma, o modelo que deverá assumir o papel de prova de fogo da marca no mercado europeu. Se o Delta for um modelo realmente adiado, o futuro da Lancia vai ficar entregue a um SUV, modelo certamente mais rentável e alinhado com as prioridades da Stellantis.
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