Com direito a mudança de nome (de DS4 para DS N°4), o renovado compacto francês reforça as suas ambições premium, apostando em melhorias cirúrgicas nas mecânicas e nos equipamentos. A par desta nova identidade, a marca lança a edição limitada Jules Verne, disponível na versão 100% elétrica e neste híbrido ligeiro a gasolina de 145 CV.

Com 4,40 metros de comprimento, o novo DS N°4 substitui o DS4, a proposta dom grupo Stellantis para competir com compactos premium como o Audi A3 Sportback, o BMW Série 1 ou o Mercedes-Benz Classe A (este último com futuro incerto, segundo várias fontes). Além desta concorrência de elite, o seu público-alvo também considera alternativas como o Lexus LBX e o Volkswagen T-Roc, crossovers focados na versatilidade de utilização, com dimensões semelhantes e um equilíbrio competente entre conforto e dinâmica.
Em Portugal, o nosso protagonista não é uma visão comum nas ruas, talvez porque nunca foi barato (embora esta nova versão tenha sofrido alguns ajustes de preço) ou porque o seu segmento (C) está em declínio devido à forte presença dos SUV. Contudo, como descobrirá, é uma excelente opção para quem procura destacar-se do referido trio alemão.
Em primeiro lugar, é de facto um carro pouco visto, e embora isso possa exigir que alguns justifiquem a sua compra, não deixa de ter o seu mérito numa altura em que a tendência recai sempre nos suspeitos do costume. Sim, alguns podem recordar-se que a DS começou por ser Citroën DS. Afinal, a origem de tudo está no lendário DS 21, lembram-se? Mas, neste momento, a marca tem uma identidade própria e, embora não apresente todas as tecnologias mais recentes na Stellantis como antigamente, continua a apoiar-se naquele inegável savoir-faire francês em termos de acabamento e seleção de materiais, sobretudo a bordo.
Mimado
Este automóvel, curiosamente fabricado na Alemanha, foi mimado pelos seus criadores. Apesar da sua plataforma ser a mesma do Opel Astra (com o qual partilha a linha de produção) e Peugeot 308, e até apresente peças desses modelos (puxadores interiores das portas, comandos dos piscas e dos limpa para-brisas, para citar alguns), a sensação, uma vez acomodado no seu interior, é de mais requinte. Talvez um passo à frente dos seus congéneres de grupo.
Estofos, acabamentos decorativos, comandos dos vidros… Na “nossa” série especial Jules Verne, edição limitada que celebra o legado de um dos escritores mais ilustres de todos os tempos, o painel de bordo é revestido em Alcantara e gravado a laser, revelando um delicado esboço de uma rosa dos ventos numa referência à engenharia e ao espírito destemido dos exploradores. Além disso, se um Astra ou um 308 já impressionam neste aspeto, aqui as portas, particularmente as dianteiras, parecem vedar com aquele abafado, sólido e inconfundível bater de carros bem-feitos.

Depois, para lhe conferir um ar renovado e adotar a nova nomenclatura da marca, estreada pelo topo de gama Nº8 com o seu toque distintamente francês (não acha?), o Nº 4 recebe uma nova dianteira (grelha com detalhes e emblema iluminados, luzes diurnas LED em formato V fechado, faróis refinados, incluindo LED Matrix, e novo para-choques), estreia desenhos das jantes e, embora de uma forma mais discreta, traseira revista (para-choques e bagageira, esta última com lettering sobredimensionado com o nome da marca e do modelo, o que nos parece algo excessivo).
Resumindo, o DS4 já era um carro interessante e agora tem ainda mais presença, por mais subjetivo que isto possa parecer. Mesmo com menos detalhes cromados do que antes, continua a parecer moderno e elegante, com um toque de coupé graças à sua linha de cintura elevada e aos pequenos vidros traseiros que, em alguns casos, podem dar a sensação de confinamento. Os puxadores exteriores das portas alinham-se automaticamente quando começa a conduzir.
É também um produto bem equipado, principalmente nesta edição Jules Verne que acrescenta “mimos” como os bancos dianteiros aquecidos, refrigerados e com massagem, além de uma série de tecnologias de assistência à condução, incluindo o apoio ao estacionamento dianteiro e traseiro e câmara de marcha-atrás ou o travão de estacionamento elétrico automático. Em qualquer caso, a marca oferece um completo compêndio de itens de equipamento, alguns quase essenciais num automóvel deste porte, como o portão da bagageira com abertura mãos-livres. Aliás, a atualização trouxe melhorias no ADAS e noutras funcionalidades, como um painel de instrumentos digital maior. Além disso, abdicou também do pequeno ecrã táctil na consola central do seu antecessor, usado para digitar endereços de navegação ou números de telefone.

Charme francês
Em breve, a gama será reforçada com um motor Diesel de 130 CV, mas, para já, o catálogo inclui uma versão híbrida Plug-in (225 CV; não disponível na edição Jules Verne), elétrica E-TENSE 100% (215 CV) e este híbrido ligeiro de 145 CV que, apesar do seu tamanho reduzido (1.2 litros, três cilindros), não deixa os seus créditos por mãos alheias. É certo que não tem um desempenho impressionante (as recuperações são algo lentas), mas o turbocompressor ajuda, assim como a transmissão automática de dupla embraiagem de seis velocidades. E por se tratar de um mild hybrid, permite manobrar ou circular em estradas planas sem utilizar gasolina.
Em suma, ideal para a cidade, onde pode consumir cerca de 5 l/100 km, e competente q.b. para uma condução em autoestrada a um ritmo tranquilo (aqui 6,5-7 litros), cenário propício para usufruir do que o DS tem de melhor, o charme das suas linhas, a suavidade da sua suspensão e a condução fácil.
Texto: Eduardo Cano – Fotos: Luís Duarte

CONCLUSÃO
Extremamente confortável, não será a melhor alternativa para os condutores mais dinâmicos, mas é fácil de conduzir, bem construído, relativamente económico e com boa resposta, desde que não se exija demasiado. Esta edição Jules Verne enaltece ainda mais a vertente exclusiva e distinta do modelo.
FICHA TÉCNICA
DS N°4 HYBRID 145 JULES VERNE
TIPO DE MOTOR Gasolina, 3 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.199 cm3
POTÊNCIA 136 CV às 5.500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 230 Nm às 1.750 rpm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa auto. 6 vel. (dupla embraiagem)
SISTEMA ELÉTRICO
TIPO DE MOTOR Síncrono de ímanes permanentes, dianteiro
POTÊNCIA 29 CV (21 kW)
BINÁRIO 55 Nm
BATERIA Iões de lítio, 0,89 kWh
SISTEMA HÍBRIDO
TIPO DE MOTOR Gasolina-Elétrico, MHEV
POTÊNCIA (TOTAL) 145 CV (107 kW)
BINÁRIO (TOTAL) N.D.
V. MÁXIMA 203 km/h
ACELERAÇÃO 9,4 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 5,2 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 117 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.400 / 1.830 / 1.470 mm






















