O sistema Full Self-Driving (FSD) da Tesla voltou a estar no centro da polémica na Europa. O Conselho Europeu para a Segurança dos Transportes (ETSC) apelou aos Estados-membros da União Europeia (UE) para que rejeitem a aprovação da tecnologia, alegando que algumas das suas funcionalidades podem facilitar o incumprimento dos limites de velocidade.
Em causa está uma função designada por “speed offset” ou compensação de velocidade, que, segundo o ETSC, permite ao veículo circular acima do limite de velocidade identificado. A organização alerta ainda para uma outra funcionalidade, denominada “velocidade máxima contextual”, que adapta a velocidade do automóvel ao ritmo do trânsito envolvente.
ETSC acusa Tesla de abrir a porta ao excesso de velocidade
Para o ETSC, estas soluções levantam sérias questões de segurança rodoviária e podem abrir um precedente perigoso na regulamentação dos sistemas avançados de assistência à condução. “Estes não são detalhes técnicos insignificantes”, afirmou Frank Mütze, especialista em automação do ETSC. “A compensação de velocidade viola uma regra já aprovada pela União Europeia ao abrigo das normas das Nações Unidas. Já a velocidade máxima contextual permite que o veículo interprete o comportamento infrator dos restantes condutores como uma justificação para adotar a mesma conduta.”
O especialista vai mais longe, alertando que uma eventual aprovação destas funcionalidades poderá criar um precedente para futuros sistemas desenvolvidos por outros fabricantes.
Segundo o ETSC, a Tesla não solicitou qualquer isenção específica às normas da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) que permitisse ao sistema FSD exceder os limites de velocidade através da função de compensação.
A discussão tornou-se um dos temas mais sensíveis do processo de aprovação do Full Self-Driving em território europeu. Apesar da designação, o sistema continua a exigir supervisão permanente do condutor, controlando automaticamente a direção e a velocidade do veículo, mas sem dispensar a atenção humana.
Aprovação europeia continua envolta em controvérsia
As reservas não partem apenas do ETSC. Países como a Suécia, França e República Checa já manifestaram preocupações relativamente à possibilidade de o sistema permitir velocidades superiores às legalmente permitidas.
Em abril, a autoridade reguladora dos Países Baixos, a RDW, deu luz verde ao sistema, decisão que foi posteriormente acompanhada pela Bélgica e por alguns outros países. Ainda assim, a votação para uma aprovação válida em toda a União Europeia, inicialmente prevista para outubro, deverá ser adiada para dezembro.
O ETSC considera que os reguladores europeus não devem avançar com a aprovação do FSD “antes de existir um debate público aprofundado sobre o alargamento das regras atualmente em vigor, nomeadamente no que diz respeito à condução sem as mãos no volante e à execução de determinadas manobras iniciadas pelo próprio sistema fora das autoestradas”.
A decisão poderá revelar-se determinante para o futuro da condução autónoma na Europa e para a estratégia da Tesla num dos mercados mais importantes para a expansão do Full Self-Driving.
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