A Porsche apresentou uma nova estratégia para a próxima década que passa por reduzir o número de modelos da gama, reforçar a aposta nos motores a combustão e híbridos e lançar uma nova família de superdesportivos posicionada acima do 911. A marca alemã quer vender menos carros, mas ganhar mais dinheiro por cada unidade comercializada.
O plano estratégico “Sports Car Factory 2035”, revelado pela Porsche aponta a uma profunda reestruturação destinada a reforçar a rentabilidade da marca e a consolidar a sua posição entre os fabricantes premium e de luxo. A nova visão para os próximos anos aposta numa gama mais exclusiva, numa maior presença em segmentos de margem elevada e numa racionalização significativa da estrutura da empresa.

Ao contrário da estratégia seguida por muitos construtores, a Porsche pretende reduzir a sua dependência dos grandes volumes de vendas. O objetivo passa por aumentar o valor gerado por cada veículo vendido, privilegiando produtos mais exclusivos e rentáveis.
Para isso, a fabricante definiu um conjunto de metas ambiciosas. No médio prazo, espera alcançar uma margem operacional entre 10% e 15%, ao mesmo tempo que procura gerar receitas anuais entre 41 e 45 mil milhões de euros.
Menos versões, mais modelos de topo
Um dos pilares do plano passa pela simplificação da gama. A Porsche quer reduzir em cerca de 20% o número de variantes atualmente disponíveis, apostando num portefólio mais focado e rentável.
Paralelamente, a marca pretende aumentar significativamente o peso dos modelos mais lucrativos dos segmentos superiores D e E. Segundo a empresa, estes veículos deverão representar cerca de 45% do portefólio a médio prazo. A estratégia inclui ainda a promessa de apresentar pelo menos um novo modelo ou produto com forte impacto na identidade da marca todos os anos até 2030.

Superdesportivos acima do 911
Entre os projetos mais relevantes anunciados destaca-se o desenvolvimento de uma nova plataforma para superdesportivos de motor central. Esta futura gama será posicionada acima do icónico 911 e deverá assumir o papel de topo na oferta da Porsche. Em paralelo, a família 911 continuará a crescer com novas versões de elevado desempenho e cariz mais exclusivo.
A fabricante está igualmente a estudar um novo SUV para o segmento D, destinado a ocupar uma posição superior à do Cayenne. Já para 2028 está previsto um SUV do segmento B que será comercializado com motores de combustão e sistemas híbridos plug-in, coexistindo com o Macan totalmente elétrico.
Combustão, híbridos e elétricos continuam lado a lado
Apesar de manter a eletrificação como uma das prioridades, a Porsche afasta uma estratégia exclusivamente elétrica. A marca confirma que continuará a investir simultaneamente em três tecnologias de propulsão: motores a combustão, híbridos plug-in e veículos elétricos.
Os investimentos vão abranger o desenvolvimento de novas motorizações térmicas, sistemas híbridos e a próxima geração de baterias.
Nos planos da empresa permanecem os futuros Porsche 718 Boxster e Cayman elétricos, cujo primeiro ano completo de produção está previsto para 2028. Já o futuro do Taycan, o primeiro modelo elétrico da marca, não foi detalhado.
Personalização será fonte de receitas
Além dos novos modelos, a marca acredita que uma parte relevante do crescimento da rentabilidade virá da personalização.
A Porsche quer aumentar em cerca de 20% o preço médio dos seus modelos de topo e multiplicar por seis as receitas provenientes de programas de personalização e encomendas especiais. Em paralelo, uma nova iniciativa focada na qualidade dos produtos deverá permitir uma redução de até 45% nos custos relacionados com garantias.

Menos empregos na estrutura de gestão
A transformação da empresa terá também impacto na organização interna. A Porsche planeia reduzir em 40% o número de cargos de gestão e diminuir em 25% o efetivo de trabalhadores em funções diretas e indiretas, com um objetivo estratégico que poderá chegar aos 30%.
Já foi acordada uma redução socialmente responsável de cerca de 9.000 postos de trabalho. Apesar disso, a marca sublinha que as garantias de emprego para os trabalhadores abrangidos pelos acordos em vigor mantêm-se até ao final de 2035.
“Com a nossa estratégia ‘Sports Car Factory 2035’, estamos a seguir um plano claro. O nosso principal objetivo é reforçar ainda mais a exclusividade da marca Porsche em todas as linhas de modelos e através de novos produtos altamente desejáveis, especialmente nos segmentos de maior margem”, afirmou Michael Leiters, presidente do Conselho Executivo da Porsche AG.
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