Antigo líder da divisão M da BMW assume comando da marca chinesa e garante que estão de igual para igual com.as referências alemãs.
A Zeekr, marca de luxo do gigante Geely, é uma das mais recentes em Portugal, e aquele que está a criar mais apreensão entre os premium europeus. A marca afirma estar “no mesmo patamar” das marcas alemãs. E quem o diz não é um qualquer executivo, mas sim Lothar Schupet, um homem que passou mais de duas décadas dentro da própria BMW.
Schupet, nos últimos 23 anos, subiu todos os degraus da hierarquia bávara: começou como engenheiro de motores, passou pela aerodinâmica, liderou regiões de vendas, foi CEO da BMW Eslovénia e, no último cargo, comandou as vendas e marketing globais da divisão desportiva BMW M — a mesma que hoje gera 20% dos lucros do grupo e vende 250 mil carros por ano.
Em janeiro de 2023, trocou o prestígio bávaro por um escritório em Gotemburgo, onde foi o segundo funcionário contratado para lançar a Zeekr na Europa. Hoje, é o CEO da operação europeia.
“Queria algo novo, com pessoas com perspetivas diferentes”, explicou Schupet numa entrevista recente. “Na BMW, a forma tradicional de pensar estava a abrandar os negócios.”
Uma aposta agressiva num mercado cético
A Zeekr chegou à Europa há apenas seis meses com uma linha de quatro modelos elétricos: o X de entrada, o SUV 7X, a carrinha 001 e o novíssimo 7GT. A estratégia inicial tem sido clara: conquistar primeiro as frotas empresariais, um mercado onde os gestores de frotas ainda olham com desconfiança para marcas chinesas.
Schupet, que conhece bem os bastidores dos grandes grupos alemães, não tem dúvidas: “Estou firmemente convencido de que os nossos produtos impressionam pela qualidade e performance. Na minha opinião, estamos ao nível de todos os fabricantes premium.”
Produção na Europa? “Para já, não”
Quando questionado sobre a possibilidade de fabricar na Europa para escapar às tarifas punitivas impostas pela União Europeia, Schupet foi cauteloso. “A velocidade, flexibilidade e agilidade com que as coisas são feitas na China não são fáceis de implementar na Europa. A burocracia atrasa muitos processos.”















