A nova geração Compass não só é maior e mais sofisticada, como representa uma mudança de paradigma, quer ao nível da oferta mecânica, quer da base tecnológica — algo que a inédita versão elétrica aqui em teste demonstra. E embora não seja um verdadeiro todo-o-terreno, o novo SUV da Jeep não se nega a algumas aventuras fora de estrada.

Eis o primeiro Jeep Compass concebido especificamente para mercados fora dos Estados Unidos (sobretudo para os europeus), onde a marca americana continua a vender a geração anterior que, aliás, é a segunda na história do modelo. É produzido em Melfi, Itália, tal como o seu antecessor, mas tem por base a nova arquitetura STELA Media, a mesma que suporta os Citroën C5 Aircross, Opel Grandland e Peugeot 3008, além de outros futuros modelos do grupo Stellantis.
Por outro lado, esta plataforma totalmente nova permite avanços significativos em sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) e de conectividade. É um SUV de tamanho médio maior que o seu antecessor, com 4,55 metros de comprimento (contra 4,40 m), e estreou-se numa versão híbrida ligeira, de 145 CV, e nesta elétrica que debita 213 CV. Em breve, será acrescentada outra semelhante, mas com dois motores e tração integral 4xe de 375 CV, e, entre elas, haverá outra versão elétrica com 231 CV e um híbrido plug-in (PHEV).
Características comuns
Desde logo, o novo Compass incorpora características inerentes à herança Jeep. E à primeira vista parece um dele. Referimo-nos à silhueta bastante geométrica ou quadrada, dominada por uma grelha com sete barras verticais paralelas e arcos de roda retangulares. No entanto, não foi concebido para utilização intensiva fora de estrada, embora ostente uma generosa altura ao solo de 200 mm (210 mm no 4xe), e ângulos de ataque de 20º (25º para o 4xe, com para-choques exclusivos), ventral de 15º e de saída de 26º (4xe: 31º), o que não é nada mau. Além disso, pode atravessar zonas com água até 470 mm de profundidade.
Adaptado ao gosto europeu, os responsáveis pelo projeto anunciam menos 20% de rolamento da carroçaria e 15% de melhoria na aceleração vertical. Números à parte, a sensação é de solidez e equilíbrio, mais próxima de um automóvel de passageiros convencional do que daquilo que entendíamos por SUV até há pouco tempo, quanto mais em comparação com o Compass de 2017. Por isso, e apesar de esta versão ultrapassar facilmente as duas toneladas antes mesmo de entrarmos no automóvel, a sua estabilidade é muito boa, as inércias são bem controladas (mesmo em travagens bruscas na autoestrada), a inclinação da carroçaria é aceitável mínima e a direção bastante precisa – muito mais do que alguma vez se sentiu num Compass.

E depois, há o interior. Ser parte integrante da Stellantis significa partilhar componentes, muitos deles visíveis, mas isso acontece com qualquer outro fabricante. No entanto, o design do habitáculo é bastante singular e, sem dúvida, bem executado. Nada que recorde imediatamente os seus “familiares” da Citroën, Opel ou Peugeot, com um acabamento sólido e até refinado, repleto de detalhes característicos da marca (os famosos “easter eggs”). Além disso, sendo maior do que antes, com uma maior distância entre eixos, é também mais espaçoso. Em particular, os lugares traseiros oferecem um amplo espaço para as pernas, inclusive para os ocupantes de maior estatura, enquanto a bagageira possui uns interessantíssimos 540 litros.
E o equipamento? Para um carro que supera os 53.000 € neste acabamento topo de gama Summit, é apenas adequado: relega alguns itens essenciais para uma versão elétrica, como a bomba de calor ou um carregador de bordo mais rápido (22 kW), para a lista de opcionais.
Bem-comportado
Por fim, a mecânica propriamente dita. O “nosso” Compass representa o acesso à gama elétrica, com tração e motor dianteiro que debita 213 CV/345 Nm. Compreendemos a relutância de muitos em comprar um SUV elétrico com estas dimensões, mas a suavidade de marcha e as prestações (recuperações incluídas) compensam. O mesmo acontece com a sua carteira, porque estamos a falar de cerca de 25 € para encher mais de metade da bateria num posto de carga público, quanto mais em casa com uma tarifa favorável. Não é um carro particularmente gastador, embora com uma média real de 18-20 kWh/100 km, a autonomia oficial de 500 km passe para próximo dos 400 (menos se conduzir apenas em autoestrada, aí ronda os 320 km). O carregamento não é mau, até 160 kW em pontos rápidos (apenas 11 kW em CA), e existe uma aplicação e-Routes para o sistema de navegação, mas como sempre terá de planear a sua viagem com antecedência.
Texto Eduardo Cano Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
O Compass Elétrico até pode não ser propriamente barato, mas não deixa ser uma boa opção dentro do universo dos SUV elétricos de médias dimensões: amplo, confortável, com boa resposta, grande facilidade de condução… Não consome muito e a bateria não carrega mal.
FICHA TÉCNICA
JEEP COMPASS SUMMIT ELÉTRICO 213 CV
TIPO DE MOTOR Elétrico, síncrono de ímanes permanentes, dianteiro
POTÊNCIA 213 CV (157 kW)
BINÁRIO MÁXIMO 345 Nm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa de relação única
BATERIA Iões de lítio, 74 kWh
AUTONOMIA (WLTP) 499 km
TEMPO DE CARGA 8h a 11 kW CA (0-100%) – 31 min. a 160 kW CC (0-80%)
V.MÁXIMA 180 km/h
ACELERAÇÃO 8,5 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 17,5 kWh/100 km (misto)
EMISSÕES (WLTP) 0 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 4.552 / 1.928 / 1.675 mm
PNEUS 235/50 R20
PESO 2.198 kg
BAGAGEIRA 541-1.561 l
PREÇO 53.250 €
GAMA DESDE 49.749 € (Gama BEV)
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 0
LANÇAMENTO Janeiro de 2026






















