A Stellantis enfrenta uma nova crise na sua cadeia de abastecimento, com a escassez de um componente eletrónico essencial a provocar constrangimentos na produção de alguns dos seus modelos mais importantes em Itália.
Sergundo avança esta quarta-feira a “Reuters”, a situação já está a afetar as vendas e poderá prolongar-se até ao final do ano, obrigando o grupo automóvel a recorrer a medidas extraordinárias para minimizar o impacto.
Entre os modelos mais afetados está o Fiat Pandina, um dos veículos mais vendidos da marca italiana e peça-chave da sua estratégia comercial na Europa. Segundo a Stellantis, a falta de um componente utilizado na unidade de controlo do motor condicionou a produção durante o mês de outubro e poderá continuar a causar perturbações nas próximas semanas.
Fábricas sob pressão
O constrangimento ameaça agora estender-se às unidades de produção de Pomigliano e Mirafiori. A fábrica de Pomigliano é responsável pela produção do Fiat Pandina, enquanto Mirafiori assegura a montagem do Fiat 500 Hybrid, outro dos modelos estratégicos da marca.
A fabricante admite que a escassez de componentes poderá obrigar a novas suspensões temporárias da produção durante os meses de novembro e dezembro, agravando a pressão sobre um setor já confrontado com elevados desafios logísticos e comerciais.
Problema atinge motores produzidos em Itália
As dificuldades não se limitam às linhas de montagem dos veículos. O problema poderá também afetar fábricas especializadas na produção de motores, incluindo a unidade de Termoli, onde é fabricado o motor N3 GSE de três cilindros e 1,0 litro que equipa tanto o Fiat Pandina como o Fiat 500 Hybrid.
Atualmente, estes são os únicos dois modelos comercializados na Europa que utilizam esta motorização, o que aumenta a vulnerabilidade da produção perante qualquer interrupção na cadeia de fornecimento.
Stellantis procura soluções
Perante este cenário, a Stellantis garante que está a trabalhar em soluções alternativas para reduzir os impactos operacionais e restabelecer a normalidade o mais rapidamente possível.
“A Stellantis e a Fiat estão a trabalhar com a máxima prioridade para identificar alternativas e retomar gradualmente as operações normais”, afirmou a empresa.
A situação surge numa altura particularmente delicada para a fábrica de Mirafiori, que já se encontra sujeita a uma paragem produtiva de três semanas iniciada em meados de outubro. Além da falta de componentes, os sindicatos apontam também a procura abaixo do esperado pelo Fiat 500 como uma das razões para a redução da atividade industrial.
Com a produção sob pressão e a incerteza a manter-se até ao final do ano, a Stellantis enfrenta mais um desafio numa indústria automóvel europeia que continua a lidar com fragilidades na cadeia de abastecimento e com um mercado cada vez mais exigente.
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