Da terra da Tesla, a Rivian ganhou nome com o R1S e o R1T: dois elétricos grandes, capazes e… caros. Demasiado caros, aliás. Quando somamos taxas e transporte, ambos ultrapassam os 80 mil dólares. São carros fantásticos, mas estão fora do alcance da maioria dos condutores.
Foi por isso que o Rivian R2, lançado este ano, fez tanto sentido. Mais pequeno, mais ágil e mais barato, tornou-se um sucesso imediato. E agora a marca quer ir mais longe.
R3 e R4: a estratégia do “cada vez mais barato”
Numa entrevista ao The New York Times, o CEO RJ Scaringe foi claro: “O próximo produto, a que chamámos criativamente R3, vai baixar o preço. Ainda não anunciámos valores, mas será materialmente mais baixo. Há um produto depois desse, chamado R4, que volta a descer.”
Ou seja, a lógica é simples: R2 → R3 → R4, cada um mais acessível que o anterior. E, segundo o próprio Scaringe, a gama do futuro pode ainda incluir um R5 e um R6 — embora a empresa não revele que formas terão.

O que sabemos sobre o R3
-Preço estimado: abaixo dos 40.000 dólares. Para contexto, o R2 mais barato deverá chegar aos 44.990 dólares em 2027, antes de taxas.
-Primeira versão: R3X, virada para todo-o-terreno — e, como sempre acontece nos lançamentos da marca, a mais cara.
-Produção: nova fábrica da Rivian na Geórgia, Estados Unidos.
-Chegada: provavelmente não antes de 2028.
Porque é que isto “podia mudar tudo”?
Porque o grande problema dos elétricos continua a ser o preço. Se a Rivian conseguir colocar um SUV elétrico competente abaixo dos 40 mil dólares, passa a competir num segmento onde estão alguns dos carros mais vendidos da Europa — e deixa de ser uma marca só para bolsos generosos.
Além disso, com o R3, o R4 e a possibilidade de um R5 e R6, a Rivian deixa de depender de dois modelos caros e passa a ter uma gama completa, capaz de atrair clientes muito diferentes. Há ainda espaço para veículos comerciais, para além da conhecida van de entregas da Amazon.
Mas há um senão (grande)
A Rivian ainda não dá lucro. E o R3 só chega em 2028 — ou mais tarde. Até lá, muita coisa pode mudar: o preço das baterias, a concorrência, os incentivos à compra de elétricos, a economia global.
A verdadeira questão não é se o R3 é bom no papel. É se a Rivian sobrevive o suficiente para o lançar.
O que isto significa para Portugal? Por agora, nada de concreto. A Rivian ainda não vende oficialmente em Portugal, e mesmo o R2 — que chega primeiro — só deverá estar disponível na Europa depois de 2026. O R3, a chegar, será um produto sobretudo pensado para o mercado norte-americano numa primeira fase.
Ainda assim, a estratégia da Rivian interessa por uma razão simples: mostra para onde vão os elétricos. Se marcas como a Rivian conseguirem baixar os preços sem sacrificar qualidade, todo o mercado europeu acaba por sentir o efeito — incluindo os consumidores portugueses.
















