As últimas “fotos espia” apanhadas em Munique mostram um protótipo que não esconde as linhas mestras: até ao pilar A, é o BMW i3 que já conhecemos. A partir daí, o tejadilho alonga-se, a traseira ganha um ar mais prático e a silhueta assume a postura de uma carrinha a sério, mais baixa do que a atual Série 3 Touring, mas com a promessa de uma mala melhor.
A carrinha resiste – mas só a elétrica
Do sul de França, onde a BMW reuniu a imprensa para a estreia dinâmica da nova Série 3 e do i3 elétrico, chega uma confirmação que interessa particularmente aos portugueses: a carrinha Touring vai continuar na gama. A notícia tem, porém, um senão — e um senão bem grande para os puristas.
Em conversa com um responsável da marca, ficámos a saber que a Touring deverá sobreviver apenas na versão elétrica, pelo menos numa primeira fase. A variante a combustão da carrinha dificilmente verá a luz do dia, e a justificação é fria como um cálculo de gestão: a procura global deixou de justificar o investimento. O formato que em Portugal tem tradição e fãs fiéis foi, lá fora, canibalizado pelos SUV, que conquistaram as famílias e as frotas sem deixar saudades às peruas.
Inversão de valores
Curiosamente, é a eletrificação que dá nova vida ao conceito. A Touring elétrica justifica-se pela novidade — uma carrinha assente na plataforma Neue Klasse é uma proposta fresca — e pela autonomia superior a 900 km, argumento decisivo para quem vê na carrinha o veículo familiar por excelência: espaço, conforto e agora quilómetros suficientes para atravessar meia Europa sem ansiedade.
É, no fundo, uma inversão curiosa: durante décadas, a carrinha foi a escolha racional da família alemã; hoje, é a versão elétrica que a torna racional outra vez.
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