A segunda geração T-Roc ganha maturidade. O SUV português da VW é o modelo mais vendido da marca na Europa e progrediu em todas as direções, nas dimensões, no espaço a bordo, na tecnologia e na eficiência, com uma gama mecânica totalmente revista que o torna ainda mais competitivo.

Lembro-me como se fosse hoje do título que escolhi para o meu primeiro teste do Volkswagen T-Roc, em 2018: “Xeque-mate, Golf”. O tempo deu-me razão. O SUV produzido em Portugal é já o modelo mais vendido da marca alemã no território europeu, destronando o Golf e lançando as bases para um veículo de grande sucesso que agora vê nascer uma segunda geração na Autoeuropa, em Palmela. E as coisas mudaram muito.
Se o primeiro T-Roc se podia descrever quase como um ‘Golf levantado’, este novo tem personalidade própria. Amadureceu e aponta a um cliente mais exigente, mais caprichoso e com um carácter mais desportivo. As suas novas linhas de desenho denunciam-no, assim como vários detalhes que demonstram que os criativos tiveram ainda mais liberdade, por exemplo com os emblemas dianteiro e traseiro iluminados.
Mais espaço
Apesar do porte mais avantajado, o habitáculo foi indiscutivelmente o que mais ganhou. O primeiro T-Roc não fazia justiça à qualidade habitual da Volkswagen, com uma atualização de meio do ciclo de vida que melhorou enormemente a experiência a bordo. Esta segunda geração soluciona isto por completo, com uma solidez indiscutível e uma seleção de materiais que convence a nível visual e ao tato. Em contrapartida, porém, há uma subida substancial de preço, pois um T-Roc básico já supera os 33.000 €, tendo um preço mínimo de 44.267 € quando a escolha recai sobre um acabamento tão apelativo como este R-Line que testámos.

Boa notícia: ganhou tamanho. Agora são 4,35 metros de comprimento, mais 12 cm, números que ainda o catalogam como compacto, mas que têm um impacto positivo no habitáculo. Há um pouco mais de espaço longitudinal nos lugares traseiros, com mais desafogo para as pernas, mas, sobretudo, a bagageira ganha 30 litros para alcançar os 475 (pouco mais de 1.300 com os bancos posteriores rebatidos).
Sem Diesel
A gama mecânica é inteiramente focada na eficiência, embora muitos lamentem a ausência do Diesel, que desaparece da oferta em troca de um par de propulsores a gasolina micro-híbridos. O de 150 CV, que equipa a “nossa” versão, é sobejamente conhecido, um 4 cilindros com um funcionamento suave, elástico e eficaz. Aqui a Volkswagen aperfeiçoou a hibridação e, apesar de o sistema não mover o carro em modo exclusivamente elétrico, desliga e liga a mecânica térmica de forma inteligente para eliminar retenção e favorecer uma condução à vela (por inércia), sem consumo. Em relação a este, é moderado, não excelente: no nosso circuito misto registou 6,6 l/100 km. Contudo, um reforço importante virá no próximo ano, com até duas mecânicas Full Hybrid de alta eficiência.

Bom comportamento
Regressando ao tema, é um conjunto que apresenta prestações corretas, talvez com uma reserva de potência mais limitada a altas velocidades, mas que cobre a maioria das necessidades de utilização de forma mais do que suficiente, e quase garantidamente melhor que a opção mais acessível de 116 CV. Sem um carácter marcadamente dinâmico, o chassis consegue um alto nível de equilíbrio, sobretudo quando com a suspensão adaptativa opcional, que possui uma vasta gama de afinações.
O funcionamento da direção também convence, na forma como permite manobrar e atua em curva, tipicamente Volkswagen, com muita solidez e precisão, o que garante elevada confiança em todos os momentos da condução. Aliás, a maior distância entre eixos face ao seu antecessor resulta numa superior estabilidade em autoestrada, com um pisar decididamente mais eficaz.
Texto Eduardo Lausín Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
Não tem uma afinação tão dinâmica como a de um Formentor, mas aponta ao mesmo tipo de cliente: algo mais sofisticado e que procura em simultâneo um carro prático e requintado. A evolução é clara: é nitidamente um carro melhor. De acordo com a subida de preço? Aqui há margem para discussão, há mais de 7.000 € de distância entre as versões básicas. O que pode preocupar agora é o Golf, porque o xeque-mate passa a ser duplo.
FICHA TÉCNICA
VW T-ROC 1.5 ETSI 150 CV DSG R-LINE
TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cil. em linha, turbo + elétrico (48V)
CILINDRADA 1.498 cm³
POTÊNCIA 150 CV entre as 5.000 e as 6.000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 250 Nm entre as 1.500 e as 3.500 rpm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa automática 7 velocidades
BATERIA Iões de lítio, N.D.
V. MÁXIMA 212 km/h
ACELERAÇÃO 8,9 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 5,6-6,4 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 128-145 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.372 / 1.828 / 1.573 mm
PNEUS 225/50 R18
PESO 1.503 kg
BAGAGEIRA 475-1.350 l
PREÇO 44.267 €
GAMA DESDE 33.594 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 111,46 €
LANÇAMENTO Dezembro de 2025



















