Quem diria que os carros chineses poderiam, em tão pouco tempo, tornar-se uma alternativa realista no mercado europeu. Não contentes com isso, agora aventuram-se nos segmentos premium, com tecnologias híbridas avançadas, muito equipamento e até estilo, como é o caso do mais recente Omoda.

Parece incrível como a cena automóvel no Velho Continente mudou em apenas tão pouco tempo, com a chegada massiva de fabricantes de origem chinesa a “roubarem” o protagonismo. E Portugal não é exceção. Entre as entradas mais recentes no mercado nacional está a Omoda (pertencente ao grupo chinês Chery), um caso de sucesso rápido (rapidíssimo), por exemplo, na vizinha Espanha, e que no nosso mercado “ataca” um segmento até agora dominado por fabricantes tradicionais, alguns deles Premium.
O Omoda 9 é um SUV de perfil pseudo coupé com 4,77 metros de comprimento, ou seja, um tamanho semelhante ao do Renault Espace, Volkswagen Tayron… e também ao dos Audi Q5, BMW X3 e Mercedes-Benz GLC. E uma coisa é certa: para o cliente tradicional de uma marca premium mudar para a Omoda provavelmente será uma questão de fé, mas que argumentos não lhe faltam… isso não duvidem.
Muito bom aspeto
Uma das suas virtudes é o ambiente interior, muito bem conseguido. A sensação ao toque é irrepreensível, oferece elevados níveis de conforto e boa qualidade de construção. A isso soma-se muito equipamento de série. Retenha este pormenor, de série, pois este Omoda 9 não tem qualquer opção, tudo vem incluído, exceto a pintura. Assistentes de condução avançados (com condução semiautónoma), duplo carregador sem fios para telemóvel de 50 W, bancos elétricos com aquecimento, ventilação e massagem, teto panorâmico… Não falta nada. Inclusive há até um aceno ao segmento de luxo com um estofo suave em pele Nappa. O capítulo da conectividade é resolvido com um sistema multimédia de 12,3” de bom desempenho, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fios.
Mas nem tudo são rosas, há alguns detalhes que prejudicam a experiência. Por exemplo, o seletor da caixa de velocidades é pouco preciso, os assistentes de segurança são tremendamente invasivos e a receção da rádio FM é nefasta. Pormenores, talvez, mínimos, mas que em muitas ocasiões são comuns a outros carros de origem chinesa, colocando o produto europeu ainda um degrau acima neste particular.
Muita autonomia
Naquilo em que um europeu não tem tanta vantagem é no sistema de propulsão. O Omoda 9 é comercializado exclusivamente como híbrido plug-in (pode funcionar como híbrido em série ou em paralelo), um sistema que debita um total de 537 CV, muito mais do que qualquer rival. Um número que impressiona, não tanto ao volante, pois acelera rápido, mas de forma suave, sem solavancos ou transições bruscas entre mudanças (são 3). E o ruído no habitáculo chega amortecido de uma forma, no mínimo, esquisita.
Seja como for, o mais importante é a eficiência. A bateria de 34,3 kWh alimenta um total de três motores (há tração integral) e permite rodar bem acima dos 100 km/h em modo elétrico, mesmo em ritmo de autoestrada. O consumo é bastante reduzido, ajudado por uma capacidade de carregamento em CC de 65 kW: praticamente todos os trajetos diários são elétricos, pelo que o gasto ronda os 1,5 l/100 km. Esgotada a bateria, gere bem a energia para superar os 1.000 km de autonomia, o que é ótimo.

E embora o chassis não atinja a precisão europeia (direção pouco informativa), protege-se com uma suspensão adaptativa que modera sem problemas o balanço da carroçaria e mantém o conforto elevado. É silencioso, fácil de conduzir e proporciona um elevado grau de bem-estar aos ocupantes em qualquer tipo de piso.
Texto Eduardo Lausín Fotos Paulo Calisto
CONCLUSÃO
Apesar de a marca ainda poder “soar a chinês”, o carro é bom e, sobretudo, tem uma relação produto/preço imbatível. Vem muito bem equipado, é eficiente e cumpre com o que se espera de um PHEV deste tipo. Falta prestar mais atenção a pequenos detalhes em termos de utilização, que podem realmente penalizar a experiência.

FICHA TÉCNICA
OMODA 9 PHEV AWD
TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.499 cm³
POTÊNCIA 142 CV (105 kW)
BINÁRIO MÁXIMO 215 Nm
TRANSMISSÃO Integral, caixa automática 3 velocidades
SISTEMA ELÉTRICO
TIPO DE MOTOR 3 motores: 1 traseiro/2 dianteiros
POTÊNCIA 238 (tras.) /224 CV (fre.)
BINÁRIO 310 (tras.) /390 Nm (fre.)
BATERIA Lítio ferro-fosfato, 34,46 kWh
AUTONOMIA (WLTP) 145 km
SISTEMA HÍBRIDO
TIPO DE MOTOR Elétrico-Gasolina, PHEV
POTÊNCIA (TOTAL) 537 CV (395 kW)
BINÁRIO (TOTAL) 650 Nm
V. MÁXIMA 180 km/h
ACELERAÇÃO 4,9 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 1,5 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 38 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.775 / 1.920 / 1.671 mm
PNEUS 245/50 R20
PESO 2.270 kg
BAGAGEIRA 471-1.004 l
PREÇO 49.900 €
GAMA DESDE 34.900 € (Versão BEV)
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 148,22 €
LANÇAMENTO Dezembro de 2025






















