A Ferrari não quer que o Luce siga o destino habitual dos carros elétricos: condenados a perder valor à medida que a bateria envelhece.
O novo SUV elétrico da marca de Maranello chega com uma abordagem revolucionária: uma bateria modular e substituível, desenhada para dar ao veículo uma vida útil que desafia o próprio conceito de obsolescência. Porque ninguém dá meio milhão de euros por um carro que, ao fim de uns anos, vale menos que um Fiat 500 elétrico usado.
Contra o calcanhar de Aquiles dos elétricos
Todos sabemos o que acontece aos smartphones, portáteis e, agora, aos carros elétricos: a bateria degrada-se, a autonomia encolhe, e chega um dia em que substituir o componente custa quase tanto como comprar um veículo novo. No Luce, que custa mais de meio milhão de euros, essa equação simplesmente não podia fazer sentido. A marca italiana, conhecida por criar carros que atravessam gerações, decidiu que o primeiro SUV elétrico da sua história não ia ser diferente.
Em vez de integrar a bateria no chassis como fazem os outros fabricantes, a Ferrari optou por uma abordagem mais inteligente. O Luce tem um compartimento específico onde a bateria é alojada, e pode ser retirada e substituída sempre que necessário. Elena Ligabue, a engenheira responsável pelo desenvolvimento das baterias da Ferrari, explicou que o objetivo nunca foi criar um sistema de troca rápida de baterias, mas sim permitir a substituição futura das células por tecnologias mais avançadas, mantendo o chassis, a estrutura e o alojamento inalterados. “O chassis, o carro e o espaço da bateria foram pensados para durar para sempre”, afirmou.
A bateria é composta por 15 módulos, cada um com a sua própria placa de arrefecimento em alumínio, e conta com um sistema contínuo de monitorização de voltagem e temperatura. Isto permite à Ferrari acompanhar a saúde das células ao longo dos anos e identificar qualquer anomalia. Na prática, esta arquitetura separa a vida útil do carro da vida útil da tecnologia eletroquímica que o alimenta — o Luce de hoje pode, daqui a cinco ou dez anos, receber células mais leves, mais eficientes ou mais potentes, sem necessidade de modificações estruturais.
Tecnologia de ponta com alma artesanal
A bateria do Luce tem 122 kWh de capacidade e utiliza uma arquitetura elétrica de 800V. As células têm um formato “de saco” de grandes dimensões, otimizado para equilibrar energia e potência, resultando numa densidade energética de cerca de 305 Wh/kg — um valor que coloca a bateria do Luce entre as mais eficientes do setor. Toda a montagem é feita internamente em Maranello, com o mesmo rigor artesanal que a Ferrari aplica aos seus motores V12.
Para um supercarro com preço acima de 500.000 €, esta abordagem tem um peso particular. Segundo a marca, os clientes da Ferrari não procuram apenas desempenho no momento da entrega, mas também preservação de valor, exclusividade e a garantia de que o carro se manterá atualizado o maior tempo possível.


















