Durante anos, a imagem de um radar na berma da estrada significava uma só coisa para os condutores: atenção à velocidade. Essa associação está a mudar rapidamente. A nova geração de radares, equipada com Inteligência Artificial (IA), já não se limita a medir os quilómetros por hora.
Novos sistemas, mais evoluídos, são capazes de analisar comportamentos ao volante que, até agora, exigiam a presença física de uma autoridade para serem sancionados.
Em Espanha, os testes já estão a ser realizados, com experiências na Catalunha e em Pamplona a demonstrarem o potencial desta tecnologia. O objetivo é claro: aumentar a segurança rodoviária, automatizando a deteção de infrações que vão muito para além do excesso de velocidade.
Com base nas capacidades destes novos sistemas inteligentes, destacamos cinco infrações que a IA já consegue identificar, transformando a forma como a vigilância nas estradas é feita.
1. Utilização do telemóvel ao volante (mesmo escondido)
Esta é uma das infrações mais perigosas e, também, uma das mais difíceis de comprovar por um agente em movimento. Os novos radares com IA utilizam câmaras de alta resolução que captam o interior do veículo. O sistema não só deteta o telemóvel na mão ou junto ao ouvido, como também é capaz de o identificar quando o condutor tenta escondê-lo, por exemplo, apoiado na zona das pernas. Durante um projeto-piloto na Catalunha, em apenas algumas semanas, foram detetadas mais de 13.000 infrações relacionadas com o uso do telemóvel e do cinto de segurança.
2. Não utilização do cinto de segurança
O esquecimento ou a negligência em relação ao cinto de segurança é outra das infrações que a IA consegue detetar com grande eficácia. As mesmas câmaras de alta resolução que vigiam o telemóvel analisam se todos os ocupantes do veículo têm o cinto colocado. Esta capacidade de monitorização contínua permite uma fiscalização muito mais abrangente do que a possível com meios humanos, contribuindo para uma redução significativa do risco de lesões graves em caso de acidente.
3. Desrespeito por semáforos e passadeiras
A IA permite que o radar interprete a cena que está a captar. Isso significa que o sistema consegue identificar, em tempo real, se um veículo ultrapassa um semáforo vermelho ou se não cede a passagem a um peão numa passadeira. Esta funcionalidade é particularmente útil em ambiente urbano, onde o fluxo de peões é mais intenso e o cumprimento destas regras é essencial para a segurança de todos.
4. Estacionamento proibido (em zonas de cebreado ou locais interditos)
Os radares com IA também estão a ser testados para a fiscalização de estacionamento. Através da combinação da imagem da câmara com o reconhecimento da matrícula e a análise da posição do veículo, o sistema pode detetar automaticamente um carro estacionado num local proibido, como uma zona de carregamento e descarga, um local reservado a pessoas com mobilidade reduzida ou, simplesmente, num passeio. Esta automatização substitui a tradicional ronda de fiscalização feita por agentes.
5. Manobras perigosas: giros proibidos e mudanças de faixa incorretas
A capacidade da IA para analisar trajetórias permite identificar manobras que violam o Código da Estrada. O sistema consegue detetar, por exemplo, a realização de um giro proibido num cruzamento, uma mudança de faixa antirregulamentar ou, numa situação mais grave, a circulação em sentido contrário. Esta capacidade de análise transforma o radar num vigilante atento a todos os movimentos do veículo.
O Futuro da Vigilância Rodoviária
A grande inovação destes sistemas é a mudança de paradigma: a pergunta já não é apenas “a que velocidade circulava este carro?”, mas sim “o que estava este carro a fazer?”. Esta tecnologia representa um salto qualitativo na segurança rodoviária, tornando a fiscalização mais eficaz e abrangente.
Em Portugal, embora esta tecnologia ainda esteja numa fase mais inicial de implementação, a tendência europeia aponta para que sistemas semelhantes sejam cada vez mais comuns. A IA veio para ficar e, para o condutor, a mensagem é clara: o radar do futuro vê muito mais do que a velocidade. As infrações que antes passavam despercebidas têm agora um novo e implacável vigilante. A vigilância será cada vez mais automatizada, e a margem para a impunidade, mais pequena.














