A Volkswagen está a ponderar estender à Europa a arquitetura elétrica e eletrónica desenvolvida em parceria com a chinesa Xpeng, numa decisão que poderá redefinir a estratégia tecnológica do grupo e reforçar o peso da tecnologia criada na China nos seus futuros modelos globais.
Segundo avança a revista alemã “Manager Magazin”, a arquitetura China Electronic Architecture (CEA), atualmente utilizada no mercado chinês, poderá tornar-se a base tecnológica de cerca de 75% dos futuros modelos das marcas Volkswagen, Skoda e Cupra. A proposta deverá ser apresentada à administração do grupo por Thomas Schäfer, responsável pela marca germânica.
Poupança de até 5 mil milhões de euros
A principal razão para esta possível mudança prende-se com os custos de desenvolvimento. De acordo com a publicação alemã, a equipa de Schäfer estima que a adoção da arquitetura desenvolvida em conjunto com a Xpeng poderá permitir poupanças entre 4 e 5 mil milhões de euros.
Os benefícios seriam particularmente relevantes em segmentos de grande volume, onde a competitividade de preços é determinante. Entre os modelos que poderão vir a beneficiar desta tecnologia encontram-se futuros elétricos como o ID. Golf, o ID. Passat e as próximas gerações do Skoda Enyaq.
Os defensores do projeto argumentam que a plataforma já atingiu um elevado grau de maturidade e que pode ser integrada nas atuais bases técnicas europeias sem necessidade de profundas alterações estruturais.
Rivian pode perder protagonismo
A eventual adoção da solução da Xpeng na Europa poderá também ter implicações na parceria estratégica entre a VW e a Rivian.
Atualmente, o grupo alemão segue duas abordagens distintas: utiliza a arquitetura desenvolvida com a Xpeng na China e trabalha com a fabricante norte-americana Rivian no desenvolvimento de software para os mercados ocidentais. Esta colaboração envolve um investimento de cerca de 5,8 mil milhões de dólares e é considerada uma das peças centrais da estratégia digital liderada por Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen.
Segundo a mesma publicação alemã, os responsáveis mais próximos do projeto Rivian receiam que uma redução significativa da utilização da sua tecnologia possa afetar a repartição de custos e o futuro equilíbrio da parceria.
Software continua a ser um desafio para a VW
Apesar das vantagens financeiras apontadas, a proposta continua a gerar debate dentro do grupo alemão. Alguns responsáveis questionam a facilidade de adaptação da arquitetura chinesa às exigências regulamentares e de segurança europeias, alertando para potenciais riscos e custos adicionais.
O tema surge numa altura em que a VW continua a enfrentar desafios no desenvolvimento de software automóvel. A complexidade do grupo, que reúne marcas como Volkswagen, Audi, Porsche, Skoda e Cupra, tem dificultado a criação de soluções comuns, um problema que também tem condicionado o trabalho da divisão de software Cariad.
Recorde-se que a parceria entre a VW e a Xpeng arrancou em 2023 com um investimento de 700 milhões de dólares por parte do construtor alemão. Em 2025, a colaboração foi ampliada para incluir não apenas veículos elétricos, mas também modelos equipados com motores de combustão e sistemas híbridos plug-in destinados ao mercado chinês.
Caso a proposta seja aprovada, a tecnologia desenvolvida em conjunto pelas duas empresas poderá deixar de estar limitada à China e assumir um papel central na futura gama europeia da Volkswagen, numa das mais importantes mudanças estratégicas do grupo nos últimos anos.
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