A Volkswagen melhorou a receita do Golf GTE trocando o motor 1.4 por um 1.5 TSI mais eficiente e potente. Com 272 CV, supera pela primeira vez o seu irmão GTI, enquanto a autonomia elétrica praticamente duplicou. Reúne o compacto alemão todos os ingredientes para quem não quer abdicar do prazer de conduzir, mas prefere uma ementa mais contemporânea?

Quando se tem o “suculento” GTI no cardápio, é possível que o Golf GTE possa ser visto como uma espécie de alternativa vegan ao desportivo de combustão. Refinado e surpreendentemente estimulante, este híbrido plug-in oferece uma experiência mais contemporânea, com o objetivo de satisfazer tanto o paladar do entusiasta como a consciência do condutor moderno. E, agora, a receita mudou.
Na essência, a Volkswagen trocou o motor 1.4 por um 1.5 TSI mais eficiente e potenciou o sistema elétrico, criando um conjunto que entrega 272 CV de potência – superando, pela primeira vez, o seu irmão a gasolina (265 CV). Mas também pela possibilidade de circular como um “carro elétrico”, quase duplicando a autonomia do anterior. Isto é possível graças a uma bateria de 19,7 kWh de capacidade útil. Tal como os últimos produtos com esta tecnologia do Grupo Volkswagen, estamos a falar de uma autonomia que dá muita margem nas deslocações diárias. O Golf GTE homologa 131 km sem utilizar o motor a gasolina. Depois, na vida real, estes números reduzem-se um pouco, mas não baixam assim tanto. Conseguimos percorrer 100 km sem emissões, não no seu ambiente ideal, que é a cidade, mas a um ritmo de autoestrada entre 100 e 120 km/h.

Outro fator muito importante e vantajoso para o compacto alemão é que carrega muito mais rápido, inclusive em estações de corrente contínua (até 50 kW). Em tomadas de corrente alternada (CA) fá-lo até 11 kW. Para as empresas, os benefícios fiscais também são um argumento de peso que pode ofuscar o apelo emocional do GTI. Aliás, neste âmbito, a marca alemã propõe o Golf numa versão igualmente híbrida plug-in, mas menos potente, o 1.5 TSI 204 CV eHybrid DSG por 41.470 €.
Potência híbrida
À parte disso, os 272 CV combinados do “nosso” GTE (motor turbo a gasolina de 177 CV e elétrico de 116), traduzem-se numa resposta poderosa, e a aceleração aparece de forma progressiva e constante, registando uma velocidade máxima de 230 km/h e uma medição de 0 a 100 km/h abaixo dos 7 segundos, o que não é nada mau. Os 400 Nm de binário também permitem resolver com muito à-vontade todas as recuperações e até há um ronco de escape a acompanhar, mais audível, naturalmente, no modo de condução mais desportivo.
Robusto e composto, o Golf esconde bem as suas dimensões. O chassis, de tração dianteira, revela décadas de aperfeiçoamento do modelo. E a direção é comunicativa, embora fique sempre a ideia de que poderia evoluir para o “feeling” mais mordaz de um Ford Focus, por exemplo, mas a forma rápida e ágil como aborda as curvas transmitem elevada sensação de segurança. Onde não há margem para dúvidas é no domínio do conforto, reclamando para si o estatuto de referência.
Conforto tecnológico

Para ajudar, o habitáculo apresenta materiais de qualidade, bancos desportivos com o lendário padrão quadriculado, volante desportivo multifunções, várias zonas para arrumos e uma bagageira cujo piso pode ser colocado em dois níveis. Há, contudo, um sacrifício a anotar. A bateria, de maiores dimensões, reclama o seu espaço. A volumetria da mala fica-se pelos 273 litros, um valor consideravelmente mais contido do que o de um Golf convencional. É o preço a pagar pela tecnologia…
A lista de equipamento oferece tudo o que é necessário, muito bem-dotado em termos de segurança e infoentretenimento. De série, conta com o sistema de infotainment Digital Cockpit Pro e navegação Discover Media, os quais podem ser operados através do ecrã tátil independente (diagonal: 32,8 cm/12,9 polegadas). A Volkswagen enterrou de vez o problemático sistema de multimédia, substituindo-o pela nova Plataforma Modular Infotainment 4 (MIB4).

Os críticos controlos climáticos “touch-sensitive”, pouco intuitivos e invisíveis à noite, deram lugar a um painel tátil dedicado, bem iluminado e finalmente fácil de usar. Esta abordagem sensata repete-se nos botões físicos e identificados sob o ecrã principal, que permitem um acesso rápido e seguro aos assistentes de condução e modos de condução.
Texto Vítor Mendes Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
O Golf GTE é, inegavelmente, um dos compactos mais competentes do mercado. No entanto, a sua alma é dividida. Falta-lhe um carácter mais visceral. Por outro lado, é sofisticado, eficiente e estimulante de forma contida. A escolha certa para quem procura o “hot-hatch” mais sensato e tecnologicamente avançado. Os que não abdicam do tempero de um desportivo, o GTI continua a ser o prato principal.
FICHA TÉCNICA
VW GOLF 1.5 TSI 272 CV PHEV GTE DSG
TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.498 cm3
POTÊNCIA 177 CV entre as 5.500 e as 6.000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 250 Nm entre as 1.500 e as 4.000 rpm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa automática 6 velocidades
SISTEMA ELÉTRICO
TIPO DE MOTOR Síncrono de ímanes permanentes
POTÊNCIA 116 CV (85 kW)
BINÁRIO 330 Nm
BATERIA Iões de lítio, 19,7 kWh (úteis)
AUTONOMIA (WLTP) 131 km
SISTEMA HÍBRIDO
TIPO DE MOTOR Elétrico-Gasolina, PHEV
POTÊNCIA (TOTAL) 272 CV (200 kW)
BINÁRIO (TOTAL) 400 Nm
V. MÁXIMA 230 km/h
ACELERAÇÃO 6,6 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 0,4 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 8 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.289 / 1.789 / 1.478 mm
PNEUS 225/40 R18
PESO 1.668 kg
BAGAGEIRA 273-1.129 l
PREÇO 52.197 €
GAMA DESDE 29.551 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 148,22 €
LANÇAMENTO Outubro de 2024




















