Num segmento onde o Diesel sempre reinou, a Isuzu quebra a tradição e apresenta a sua primeira variante 100% elétrica de sempre, com dois motores elétricos — um em cada eixo, garantindo tração às quatro rodas — capazes de gerar uma potência máxima total de 188 CV e com autonomia para até 263 km. Fará sentido no terreno acidentado e no asfalto nacional?

Há muito que as versões de passageiros das pick-up deixaram de ser simples variantes com uma cabina mais longa e cinco lugares. Modelos como a Isuzu D-Max estão cada vez mais refinados e têm um objetivo muito simples: captar uma parte das vendas dos omnipresentes SUV, com um “pacote” mais focado no espírito de evasão e na versatilidade.
Agora, a marca japonesa dá um passo ainda mais arrojado nessa direção. Se o conforto e a tecnologia já a aproximavam dos reis do asfalto, a chegada da primeira versão 100% elétrica da D-Max promete revolucionar por completo a forma como olhamos para uma pick-up.
Não é que se trate de uma reformulação radical da receita D-Max. À primeira vista, as diferenças são subtis. A carroçaria é praticamente idêntica, as jantes parecem as mesmas, e inclusive a disposição do habitáculo é instantaneamente familiar. Só algumas pistas denunciam a sua natureza elétrica.
A grelha dianteira, agora fechada para melhor aerodinâmica, exibe o tom “Electric Blue Met”, um detalhe cromático que se repete nos badges laterais. O mesmo acontece com as dimensões. Com 5,28 metros de comprimento e 1,87 m de largura, estamos claramente perante uma pick-up de porte médio, mas a distância ao solo foi ligeiramente elevada para 21 centímetros, acomodando a bateria de 66,9 kWh montada no chassis.

Os estribos laterais “Dark Gun” e as jantes de 18″ ajudam a manter a estética aventureira, enquanto a caixa de carga metálica (quase quadrada, com 1,49 m de comprimento) promete durabilidade para o trabalho duro.
Ao volante, o destaque vai para o novo ecrã tátil de 9″ do sistema de infotainment, que responde bem aos comandos e integra de série Apple CarPlay e Android Auto. O painel de instrumentos LCD de 7″ é claro e fornece toda a informação essencial sobre o consumo e estado da carga. Esta versão de lançamento (nível LSE) ainda acrescenta bancos e volante revestidos a pele sintética, banco do condutor com ajuste elétrico de oito vias e ar condicionado automático de duas zonas.
Binário instantâneo
Debaixo da carroçaria, dois motores elétricos (um em cada eixo) gerem a tração integral permanente. O eixo dianteiro conta com cerca de 58 CV, enquanto o traseiro assume a maior responsabilidade com 132 CV. No total, o sistema debita 188 CV e um binário combinado de 320 Nm.
Os números de aceleração (0-100 km/h em 10,1 segundos) não são de cortar o fôlego, mas é 2,5 segundos mais rápida que a versão Diesel de 164 CV. Além disso, a resposta quase instantânea da dupla elétrica torna a condução extremamente linear e agradável, especialmente em manobras de baixa velocidade ou em arranques com carga.
Em andamento, a habitual banda sonora Diesel dá lugar a uma calma quase total, apenas interrompida pelo ruído aerodinâmico e pelo zumbido ocasional dos motores. A sensação de controlo é impressionante, especialmente quando se usam as patilhas para gerir a travagem regenerativa. É um ajuste natural para a condução urbana e em baixa velocidade, permitindo abrandar suavemente sem tocar no pedal. Não há curva de aprendizagem ou comportamentos estranhos; simplesmente funciona. A velocidade máxima está limitada a 130 km/h, o que é sensato para um veículo desta natureza.
Autonomia limitada
O calcanhar de Aquiles de muitos elétricos comerciais é a autonomia, e a Isuzu não foge à regra. A bateria de 66,9 kWh anuncia até 263 km, podendo chegar aos 361 km em ciclo urbano. Números honestos, mas que refletem a realidade de um veículo pesado e aerodinamicamente desafiante.

No dia-a-dia, isto significa que a D-Max EV é uma excelente ferramenta para frotas com rotas previsíveis ou para utilização em explorações agrícolas e estaleiros de obra, onde o raio de ação é limitado. No carregamento, a pick-up aceita corrente alternada até 11 kW (carga completa em 10 horas) e corrente contínua até 50 kW, recuperando de 20 a 80% em 60 minutos.
A grande questão era: a D-Max perde a sua essência aventureira ao tornar-se elétrica? A resposta é não. O chassis de aço reforçado (fabricado na Tailândia) mantém a rigidez necessária para o fora-de-estrada. Os ângulos de ataque (30,5º), ventral (24,2º) e de saída (17,6º) são respeitáveis e a capacidade de vau é de 600 mm, valores que permitem enfrentar terrenos complicados com confiança.
A grande vantagem elétrica aqui é o controlo. A gestão eletrónica da tração integral, potenciada pela entrega precisa do binário em cada eixo, permite uma progressão em pisos escorregadios com uma suavidade que um motor Diesel não consegue igualar. Quanto ao trabalho, a D-Max EV não desilude: anuncia uma capacidade de carga útil superior a uma tonelada (1.010 kg) e uma capacidade de reboque de 3.500 kg.
Texto Vítor Mendes Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
A D-Max EV não é para todos. A autonomia limita-a a um perfil de utilizador específico.
E o preço elevado não ajuda (70.400 € +IVA, no caso desta versão de cinco lugares), mas para empresas com benefícios fiscais e frotas ou quem precisa de uma pick-up robusta com capacidade de carga e reboque de topo, e que opera maioritariamente em ambientes urbanos ou em explorações de média dimensão, eis uma alternativa bastante competente.
FICHA TÉCNICA
ISUZU D-MAX CABINA DUPLA 4X4 LSE EV
TIPO DE MOTOR Elétricos, síncrono de ímanes permanentes, dianteiro e traseiro
POTÊNCIA 188 CV (140 kW)
BINÁRIO MÁXIMO 325 Nm
TRANSMISSÃO Integral, caixa de relação única
BATERIA Iões de lítio, 66,9 kWh
AUTONOMIA (WLTP) 263 km (361 km em cidade)
TEMPO DE CARGA 10h a 11 kW CA (100%)
60 min. a 50 kW CC (20-80%)
V. MÁXIMA 130 km/h
ACELERAÇÃO 10,1 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 25,5 kWh/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) N.D.
DIMENSÕES (C/L/A) 5.280 / 1.870 / 1.790 mm
PNEUS 265/60 R18
PESO 2.350 kg
PREÇO 86.592 € (70.400 € + IVA)
GAMA DESDE 85.362€ (69.400€ + IVA)
I.CIRCULAÇÃO (IUC) N.D.
LANÇAMENTO Outubro de 2025






















