A União Europeia quer que os carros elétricos deixem de ser um “luxo” só para alguns. E a Stellantis acabou de dar a resposta: um mini elétrico com preço alvo de 15.000€, inspirado nos kei-car japoneses e fabricado em Itália. Eis tudo o que já se sabe sobre o projecto ‘E-Car’.
Enquanto a maioria dos elétricos atuais ronda ou ultrapassa os 30.000€, Bruxelas prepara uma revolução silenciosa. A nova categoria M1E – uma espécie de kei-car europeu – vai permitir pequenos veículos totalmente elétricos, mais leves e baratos. E a Stellantis, dona de marcas como a Citroën, Fiat, Peugeot e Opel, já se mexeu.
Stellantis E-Car: o que significa o ‘E’?
O gigante automóvel batizou o programa de «E-Car». E garante que o ‘E’ não é só elétrico: significa Europeu, Emocional, Ecológico… e Económico. O objetivo é claro: trazer de volta os citadinos acessíveis que desapareceram devido às normas de segurança e emissões.
Ao contrário de microcarros como o Citroën Ami ou o Opel Rocks-E, o novo E-Car será um verdadeiro automóvel, com quatro lugares, mala utilizável e capacidade para circular em autoestrada – pelo menos na versão mais potente.
Dimensões, potência e preço (o mais importante)
De acordo com as especificações já avançadas pela Comissão Europeia e confirmadas pela Stellantis:
Comprimento: entre 3,50 e 3,80 metros
Peso: cerca de uma tonelada
Duas versões:
Urbana: 40 a 50 CV (ideal para cidade)
Mais potente: suficiente para autoestrada
Preço alvo: 15.000€ (antes de eventuais apoios)
Isto coloca o E-Car num segmento inteiramente novo: acima dos microcarros (Ami, Rocks) mas muito abaixo dos atuais elétricos pequenos (como o Peugeot e-208 ou o VW ID.3).
Produção em Itália (e não em Marrocos)
A grande surpresa veio do local de fabrico. Ao contrário do que se especulava – muitos apontavam a fábrica de Kenitra, em Marrocos – a Stellantis vai produzir estes modelos na histórica fábrica de Pomigliano d’Arco, perto de Nápoles. Foi lá que nasceu o primeiro Fiat Panda. E é lá que continuará a nascer a nova geração de elétricos acessíveis.
A decisão está alinhada com as diretivas da UE, que exigem produção no continente para beneficiar das novas regras.
Tecnologia chinesa por dentro (e não é segredo)
Para conseguir um preço tão baixo e acelerar o desenvolvimento, a Stellantis vai recorrer a parceiros chineses. O grupo já tem uma joint venture com a Leapmotor e anunciou recentemente uma cooperação com a Dongfeng.
A plataforma, o sistema de propulsão e a bateria deverão vir da China – algo que a marca não esconde. O objetivo é cortar custos e tempo de desenvolvimento, mantendo a qualidade e a segurança exigidas na Europa.
Que marcas venderão o E-Car? E que aspeto terá?
A Stellantis ainda não revelou quais das suas marcas vão lançar versões deste mini elétrico. Mas, à semelhança do que aconteceu com o Opel Rocks-E (que tem irmãos Citroën Ami, Fiat Topolino e Mobilize Duo), é quase certo que várias marcas europeias do grupo terão o seu próprio modelo derivado.
Quanto ao design, o estilo ainda não está fechado. No entanto, os kei-car japoneses mostram um leque vasto: desde hatchbacks clássicos a pequenas carrinhas e mini-SUVs de linhas quadradas. Para a Europa, aposta-se num crossover urbano, ligeiramente elevado para facilitar o acesso e maximizar o espaço interior.
Outro possível ponto de partida? O protótipo Fiat Mio, apresentado em 2010 no Brasil – um citadino minimalista e compacto que encaixa na perfeição nesta ideia.
Quando chega o Stellantis E-Car?
Ainda sem data oficial, mas os planos da UE apontam para que a nova categoria M1E esteja regulamentada em 2027. A Stellantis quer estar na linha da frente. Por isso, é provável que os primeiros modelos cheguem ainda em 2027 ou início de 2028.



















