Os homens portugueses entre os 20 e os 40 anos são, de longe, o perfil mais frequente nos acidentes rodoviários envolvendo veículos sem seguro obrigatório nas estradas nacionais.
Segundo dados do Fundo de Garantia Automóvel (FGA), este grupo etário concentra a maioria dos condutores lesantes: 1.436 casos no período analisado, 202455 e 2025, contra 311 incidentes protagonizados por mulheres. No total, os condutores nacionais foram responsáveis por 94,7% dos acidentes lesantes registados.
A geografia destes sinistros revela uma forte concentração nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sobretudo em zonas suburbanas com elevada mobilidade pendular. Lisboa lidera com 423 acidentes, seguida de Sintra (262), Porto (204) e Cascais (155). Os veículos ligeiros de passageiros são os mais frequentemente envolvidos.
Este retrato integra o estudo “Perfil do Condutor Sem Seguro”, divulgado esta segunda-feira, pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), que alerta para a dimensão crescente do fenómeno. A análise, baseada em dados de fiscalização da PSP entre 2023 e o início de 2026, mostra uma “tendência consistente de aumento” na proporção de veículos detetados sem seguro obrigatório.
Em 2023, o rácio médio de infração atingiu 1,33%, equivalente a 121 mil veículos. A ASF sublinha que estes valores devem ser interpretados como estimativas de ordem de grandeza, devido ao caráter seletivo das ações de fiscalização. Ainda assim, os rácios médios de 2024 (0,93%) e os dados mais recentes de 2026 (1,47%) permitem estabelecer um intervalo plausível entre 85 mil e 134 mil veículos sem seguro a circular no país.
A intensificação do fenómeno reflete‑se diretamente no FGA, que cobre danos provocados por veículos sem seguro. Até ao início de julho, o fundo registou 2.709 novos processos de sinistros, um aumento homólogo de 15%, depois de já ter crescido 9% no ano anterior. Para o regulador, estes números evidenciam um risco crescente para vítimas e para o sistema de indemnizações.
Citado no documento, o presidente da ASF, Gabriel Bernardino, reforça o alerta: “Conduzir sem seguro é colocar em risco a proteção das vítimas de acidentes rodoviários e expor‑se a encargos financeiros muito pesados.” O responsável recorda que, quando o FGA indemniza os lesados, procura posteriormente ser ressarcido pelo condutor responsável — um processo que, em acidentes graves, pode comprometer seriamente a estabilidade financeira do infrator e da sua família.
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