Mate Rimac, patrão da Bugatti, diz que a Europa não deve copiar a China com ecrãs maiores e carregamentos mais rápidos. Em vez disso, defende que os fabricantes europeus encontrem o seu nicho — como os relojoeiros suíços. E ele próprio dá o exemplo: o seu carro do dia a dia é o VW Golf R32 que sonhava ter aos 19 anos.
Enquanto grande parte dos líderes da indústria automóvel europeia pede tarifas ou até proibições aos carros chineses, há um que propõe um caminho diferente. Mate Rimac, CEO da Bugatti Rimac, foi às redes sociais defender que a Europa não deve tentar bater a China no seu próprio jogo.
E não é um CEO qualquer. Fundou a Rimac, fabricante de supercarros elétricos, e assumiu o controlo total da Bugatti. Mas, apesar de liderar marcas de hipercarros que valem milhões, o seu carro do dia a dia é um Volkswagen Golf R32 — e não é um Golf qualquer.
O R32 é a versão de alto desempenho da quinta geração do Golf, com motor 3.2 VR6 de 247 cavalos, tração integral 4Motion e caixa DSG de seis velocidades. Foi o precursor do atual Golf R e tornou-se um objeto de culto entre entusiastas. Rimac confessou que o comprou porque era o carro que sempre quis ter aos 19 ou 20 anos. “Adoro o som dele!”, disse.
Este detalhe reforça a sua mensagem: a Europa não precisa de competir pelo exagero, mas sim pelo que a torna única.
No vídeo de 86 segundos publicado no Instagram e no Facebook, Rimac reconhece que os fabricantes europeus estão em dificuldades face à concorrência chinesa. Mas critica a abordagem atual de gastar “centenas de milhões” em consultores para copiar o que os novos concorrentes já fazem muito bem: ecrãs maiores, menos botões e carregamentos mais rápidos. A solução, diz, é fazer o inverso.
Para ilustrar o ponto, usou o interior de um Bentley Arnage — produzido entre 1998 e 2009 — e apontou para as saídas de ar sólidas, os interruptores táteis, o carpete profundo e o uso de couro e madeira genuínos. Não são os elementos isolados que fazem a diferença: é a sinergia entre eles que cria um verdadeiro carro de luxo.
O exemplo suíço
Rimac compara o futuro da indústria automóvel europeia à relojoaria suíça. “Podem dizer: ‘um carro de luxo não é para todos; precisamos de fazer um carro para todos.’ Discordo. Precisamos de encontrar o nosso nicho, como os suíços encontraram a relojoaria. Eles fazem apenas 5% dos relógios do mundo, mas 90% dos lucros do setor.”
A mensagem está a ecoar. O vídeo já ultrapassou 1,4 milhões de visualizações, 88 mil gostos e mais de 2 mil comentários. Figuras conhecidas do setor — como Chris Harris, Jonny Smith, Harry Metcalfe, Misha Charoudin e Aziz Drives — subscreveram a visão de Rimac. Até o CEO da Bentley, Dr. Frank-Steffen Walliser, deixou um comentário bem-humorado, a pedir a Rimac que não revelasse a estratégia da Bentley.
A proposta de Rimac é refrescante: em vez de pedir barreiras, propõe aprofundar aquilo que torna os carros europeus diferentes. Resta saber se outros CEOs seguirão o exemplo — ou se continuarão a olhar para a China pelo retrovisor.
















