Um Bentley Flying Spur de pré-produção serviu de tela a uma criação artística tão impressionante quanto efémera, já que está destinada a ser destruida. A obra foi concebida por David Gwyther, mais conhecido no mundo da arte como Death Spray, um artista britânico reconhecido pelas suas intervenções visuais em automóveis, motociclos e até alguns dos mais icónicos carros da série Gymkhana de Ken Block.
Durante dez dias, o artista aplicou ao luxuoso Flying Spur uma identidade visual marcante, criada para desafiar a forma como olhamos para um automóvel. O processo começou com uma camada profunda de tinta preta, sobre a qual foram colocadas máscaras aplicadas manualmente. Seguiu-se a aplicação de tinta branca, dando origem a um padrão irregular que, de certa forma, satiriza as tradicionais camuflagens utilizadas pelos construtores automóveis para esconder as linhas dos seus novos modelos.

Segundo Gwyther, a essência de um Bentley vai muito além da sua aparência. Para o artista, aquilo que permanece na memória são os detalhes artesanais, as texturas e a sensação tátil transmitida pelo veículo. Foi precisamente essa filosofia que o inspirou a criar uma obra onde as imperfeições assumem um papel central.
A frente do Flying Spur apresenta manchas brancas que evocam os vestígios deixados pelos insetos após longas viagens em estrada, enquanto a traseira exibe linhas mais definidas e agressivas. Em vez de destacar as elegantes formas da berlina britânica, o objetivo foi precisamente o contrário: disfarçá-las e obrigar o observador a redescobrir uma silhueta que julgava conhecer.
Mas a transformação não termina quando o sol se põe. O artista incorporou pigmentos fotoluminescentes em tons de azul, verde e roxo, capazes de absorver a luz do dia e libertá-la durante a noite. O resultado é um Flying Spur que se transforma numa autêntica instalação luminosa depois do anoitecer.

O processo revelou-se particularmente complexo. Gwyther alternava entre trabalhar sob luz intensa e apagar completamente a iluminação do estúdio para verificar o efeito dos pigmentos. A experiência, admite, era semelhante a pintar praticamente às cegas.
A criação foi apresentada a 13 de outubro, em Manhattan, durante um evento organizado em colaboração com o Cart Department, o estúdio de arte automóvel criado por Larry Warsh. A peça assume-se como uma instalação temporária, mas também como um exercício de liberdade criativa que desafia os conceitos tradicionais de design automóvel.
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