A Porsche vai produzir menos carros para conseguir margens maiores, num movimento que inverte a estratégia de crescimento agressivo dos últimos anos.
Michael Leiters, o novo CEO da marca, afirmou ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung que “a Porsche precisa de ganhar dinheiro mesmo vendendo menos carros”. A decisão surge depois de 2025 ter sido um ano negro para a fabricante de Stuttgart: as entregas caíram para 279.449 unidades e o lucro operacional despencou 92,7%.
Três frentes explicam a crise: o colapso na China — onde as vendas caíram para metade em quatro anos —, os custos excessivos com a eletrificação e as tarifas norte-americanas que custaram 700 milhões de euros à marca.
Apesar do corte na produção, o regresso do 718 está confirmado e a marca prepara-se para oferecer o Boxster e o Cayman com motores de combustão e elétricos. Já o futuro do grande SUV de três filas permanece incerto.
A Porsche está ainda a aprofundar a cooperação com a Audi para reduzir custos e já anunciou a saída de 1.900 funcionários efetivos, além dos 2.000 temporários dispensados anteriormente.
No Brasil, o diagnóstico é paradoxal: as vendas caíram 11,8% em 2025 — interrompendo nove anos de recordes — mas o Porsche 911 foi o desportivo mais vendido do país.
Para 2026, a Porsche projeta uma margem operacional entre 5,5% e 7,5% — longe dos 18% de 2023, mas uma recuperação face ao desastre do ano passado. A grande questão é se a fórmula “menos carros, mais dinheiro” ainda funciona num mercado que mudou mais depressa do que os motores da marca.















