Mais comprido, mais aerodinâmico e com um visual SUV-coupé que o afasta do irmão Torres. O novo Actyon chega para preencher a lacuna que faltava na gama da KGM – e fá-lo sem versão 100% elétrica, apostando antes no híbrido mais sofisticado da marca.

Partilhando a plataforma do Torres, o Actyon cresce 4 cm em comprimento (total: 4,74 m), mas mantém a distância entre eixos nos 2,68 metros. Significa que o espaço interior não encolheu – apenas o porte ficou mais elegante e a silhueta aproximou-se da de um coupé. E é na traseira que essa diferença mais se nota: a queda suave do tejadilho evoca o Range Rover Velar, uma inspiração britânica assumida que contrasta com a frente herdada do Torres, onde a assinatura luminosa substitui o emblema tradicional.
A pensar na família
No habitáculo, os bancos dianteiros – elétricos, aquecidos e ventilados – são confortáveis e envolventes na medida certa. E a posição de condução, tipicamente alta como manda a cartilha SUV, oferece visibilidade privilegiada sobre todos os ângulos da estrada. O volante, de formato quase quadrado, tem boa pega e os comandos estão dispostos de forma lógica – ainda que os roletes do volume e dos menus não primem pela qualidade tátil.

A digitalização fica a cargo de um painel panorâmico composto por dois ecrãs de 12,3” e o sistema de infoentretenimento estreia a interface Athena 2.0, com gráficos modernos e menus razoavelmente intuitivos. Há, porém, arestas a limar: os ecrãs sofrem com os reflexos solares que dificultam a leitura em dias de luz intensa e a resposta ao toque não é a mais rápida do mercado.
Há plásticos duros nas portas e na zona inferior do tablier, mas as superfícies em pele sintética e os pespontos contrastantes elevam o ambiente. O mesmo efeito tem a consola central flutuante, uma excelente ideia que a KGM importou do irmão Torres e que funciona muito bem.
Apesar de parecer “suspensa” no ar sem estar unida ao tablier, está perfeitamente integrada e o seu formato alongado aloja o pequeno seletor da transmissão com um acabamento que imita o cristal, para um toque requintado ao interior. Abaixo da consola, o espaço que sobra revela-se útil para colocar uma mochila, um tablet ou outros objetos de maior volume.
Atrás, o espaço é adequado para uma família. Pessoas de 1,80 m viajam com folga nos joelhos e na cabeça, e o encosto do banco traseiro tem inclinação ajustável. Só o piso central não é completamente plano, o que penaliza ligeiramente o passageiro do meio. Em contrapartida, a bagageira, com 668 litros e um duplo fundo inteligente, é uma das maiores do segmento – mais generosa que a do Volkswagen Tiguan e muito à frente da do Nissan Qashqai. Um feito impressionante para um híbrido que aloja a bateria na traseira.
Eficiência híbrida
O sistema híbrido do Actyon é o mais complexo que a KGM alguma vez montou. A grande inovação está numa arquitetura que coloca um motor elétrico a montante e outro a jusante do propulsor térmico – neste caso, após a caixa de velocidades, desenvolvida de raiz para aplicações híbridas.
O bloco 1.5 a gasolina, de 150 CV e 220 Nm de binário, emprega ciclo Miller para melhorar a eficiência, além de turbocompressor de geometria variável e pressão de injeção elevada de 250 para 350 bar, o que reduz emissões e aumenta a disponibilidade. O primeiro motor elétrico, acoplado ao propulsor a combustão antes da transmissão, funciona exclusivamente como gerador e apoio de binário – não transmite potência diretamente às rodas.

O segundo, com 177 CV e 300 Nm, atua como motor de tração e é frequentemente chamado a assumir as tarefas da locomoção. Tudo somado, a potência combinada atinge os 204 CV e o sistema pode funcionar em modo elétrico na cidade até mais de 90% do tempo. A gestão cabe à nova caixa DHT, que alterna automaticamente entre nove modos de operação (incluindo EV, HEV série/paralelo e convencional a gasolina). É um funcionamento complexo de explicar, mas fácil de acompanhar em tempo real no diagrama de fluxo de energia do painel de instrumentos.
Na prática, o Actyon HEV sobressai pela fluidez de respostas, destacando-se a facilidade de condução e a competência do chassis ao nível do conforto, mesmo com jantes de 20 polegadas. A suspensão com amortecedores de frequência inteligente (McPherson à frente, multibraços atrás) é ligeiramente mais firme que a do Torres, mas mantém um compromisso confortável e lida muito bem com as irregularidades do asfalto da urbe. É também na cidade que o sistema híbrido da KGM se revela. Numa volta exclusivamente citadina, conseguimos 4,8 l/100 km – um número digno de um utilitário. A média final ficou nos 7,1 l/100 km, acima dos 5,9 l homologados, mas ainda assim um bom registo para um SUV de grandes dimensões.
Texto Vítor Mendes Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
O Actyon HEV não é um SUV para off-road, mas sim um familiar desafogado com visual coupé e um sistema híbrido inteligente, ideal para quem faz muita cidade sem prescindir de espaço. Os consumos reais são aceitáveis para o porte do carro, embora longe dos números oficiais. Faltam alguns retoques de qualidade aos plásticos e aos ecrãs, mas o conjunto é surpreendentemente maduro para uma marca que está a (re)nascer.
FICHA TÉCNICA
KGM ACTYON HEV K5
TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.498 cm3
POTÊNCIA 150 CV às 5.500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 220 Nm entre as 2.400 e as 4.200 rpm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa automática DHT
SISTEMA ELÉTRICO
TIPO DE MOTOR Elétrico, síncrono de ímanes permanentes
POTÊNCIA 177 CV
BINÁRIO 300 Nm
BATERIA Iões de lítio (NMC), 1,8 kWh, 400 V
SISTEMA HÍBRIDO
TIPO DE MOTOR Elétrico-Gasolina
POTÊNCIA 204 CV
BINÁRIO N.D.
V. MÁXIMA 175 km/h
ACELERAÇÃO N.D.
CONSUMO (WLTP) 5,9 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 134 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.740 / 1.910 / 1.680 mm
PNEUS 245/45 R20
PESO 1.725 kg
BAGAGEIRA 668-1.444 l
PREÇO 47.500 (39.990 € c/ campanha)
GAMA DESDE 45.000 (35.999 € c/ campanha)
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 148,22 €
LANÇAMENTO Janeiro de 2026


















