O aumento dos custos dos combustíveis está a levar muitos portugueses a repensar a utilização do automóvel. Um estudo do Observador Cetelem concluiu que uma parte significativa dos condutores reduziu deslocações não essenciais nos últimos meses e procurou alternativas mais económicas no abastecimento, confirmando que a pressão sobre os orçamentos familiares continua a influenciar a mobilidade e as decisões de compra.
Os elevados preços dos combustíveis estão a deixar marca nos hábitos dos automobilistas portugueses. Segundo o estudo “Origem ou Preço? O que move os condutores”, do Observador Cetelem, 37% dos portugueses reduziram as deslocações não essenciais nos últimos seis meses para controlar os gastos com combustível, enquanto 25% mudaram de posto de abastecimento em busca de preços mais competitivos.

Esta crescente preocupação com os custos de utilização do automóvel acaba também por refletir-se no momento da compra. O fator preço surge hoje como o principal critério de decisão para os consumidores, superando elementos tradicionalmente relevantes, como a reputação ou a origem das marcas.
A realidade portuguesa distingue-se ainda pela ausência de um fabricante automóvel nacional, o que ajuda a explicar a menor importância atribuída à proveniência da marca. Em países com forte indústria automóvel própria, como Japão, Alemanha, Estados Unidos ou França, os consumidores continuam a demonstrar uma preferência mais acentuada pelos construtores nacionais.
O estudo mostra também que a fidelização às marcas é mais forte entre os compradores de veículos novos do que no mercado de usados. Já a ligação emocional ao automóvel mantém-se moderada entre os portugueses, abaixo dos níveis registados noutros mercados internacionais.
Eletrificação mantém-se nas intenções de compra
Apesar das preocupações económicas, a transição para veículos de baixas emissões continua a ganhar espaço. Entre os portugueses que admitem adquirir um automóvel durante os próximos 12 meses, mais de metade considera optar por uma motorização eletrificada, confirmando a consolidação da eletrificação como uma das principais tendências do mercado.
Mercado nacional continua a crescer
Depois de um crescimento de 6,3% em 2025, para 257 mil ligeiros de passageiros vendidos, as previsões apontam para uma nova subida em 2026, com o mercado português a aproximar-se das 280 mil unidades. Portugal destaca-se, assim, como um dos poucos mercados europeus que conseguiu crescer desde a pandemia.
Nas preferências dos consumidores nacionais, as marcas europeias continuam a dominar. Peugeot, Renault e Mercedes-Benz lideram as vendas em Portugal, enquanto Mercedes-Benz, Peugeot e BMW repartem a liderança entre os veículos elétricos.
“O mercado automóvel português tem demonstrado resiliência, mas há uma conclusão que se destaca neste estudo: o preço continua a ser determinante na decisão de compra. Num contexto de maior pressão sobre os orçamentos familiares, os consumidores procuram soluções que conciliem as suas necessidades de mobilidade com as suas possibilidades financeiras. Para o setor, o desafio será responder a estas expectativas, disponibilizando propostas ajustadas às necessidades dos consumidores”, afirma David Correia, Diretor de Mobilidade do Cetelem.
O estudo foi realizado em 13 países e envolveu 15.770 inquiridos, incluindo 3.151 participantes em França e mais de mil entrevistados em cada um dos restantes mercados analisados.
Leia também:















