Mais agressivo visualmente e com lista de equipamento mais recheada, o 308 surge renovado para manter a sua posição de liderança no segmento C em Portugal, mantendo como ponto forte a gama de motorizações diversificada, de que é exemplo este híbrido ligeiro de 48 V, agora com 145 CV de potência.

Apesar do sucesso crescente dos SUV, os familiares compactos de segmento C continuam a ter um papel muito importante no mercado europeu, com o 308 a ser um caso de sucesso (em Portugal, voltou a liderar o segmento em 2025). Porém, a Peugeot sentiu-se na obrigação de renovar o modelo, embora a grande parte das alterações incidam no campo visual, tornando-o (ainda) mais agressivo, sobretudo na secção dianteira.
É aí que residem as grandes alterações, havendo agora grelha com elementos na cor da carroçaria e efeito tridimensional, aliado a conceito de iluminação mais agressivo: as luzes de circulação LED estão agora na parte superior da dianteira, unidas entre si por uma faixa luminosa raiada no caso desta versão GT, simulando dinamismo. A iluminação principal (aqui Matrix LED) está agora inserida numa máscara em preto brilhante, onde estão ocultados os vários sensores. Outro aspeto importante é o logótipo na grelha iluminado. O resto das alterações exteriores são cirúrgicas, como os farolins traseiros com novo desenho e a supressão dos cromados no para-choques.
A versão GT traz consigo alguns apontamentos visuais singulares, como saias inferiores à frente e nas laterais e jantes de corte diamante de 18”.

Qualidade interior
O habitáculo continua a ser um exemplo em termos de qualidade, com desenho moderno e construção aprimorada, sublinhando-se no caso deste GT a existência de materiais como Alcantara, no tablier e nos painéis das portas, e pele sintética com pespontos verdes. Os bancos apresentam desenho desportivo para suporte do corpo em condução mais dinâmica, embora o revestimento opcional na unidade ensaiada apresentasse combinação de Alcantara, pele sintética e tecido, além de função de massagem (opção: 1.300 €).
Conceito central, o i-Cockpit repete volante compacto específico GT acompanhado de painel de instrumentos digital de 10” com efeito tridimensional, outra particularidade da “nossa” versão. Apesar do modernismo da apresentação, continua a obrigar o condutor a encontrar um ponto de compromisso entre a visibilidade do painel e a posição do volante, numa ‘queixa’ que não é nova. Compensa pela aparência tecnológica do ecrã central de 10”, com o sistema Peugeot Connect Nav de grafismos evoluídos e conectividade elaborada (acesso a jogos, Android Auto e Apple CarPlay), ainda que a transição entre menus não seja sempre fluída.

Interessante é também o conceito de i-Toggles, botões personalizáveis táteis sob o ecrã central que permitem acesso rápido e simples a vários sistemas. Além disso, numa boa conjugação entre elementos digitais e físicos, há também outros botões de atalho para funções de climatização, o que é bem-vindo.
O espaço a bordo não se alterou, com os lugares traseiros a serem mais propícios para adultos de menor estatura ou para crianças, ficando na média do segmento. Ainda assim, acaba por não comprometer.
Desempenho eficaz
O sistema híbrido de 48 V (mild-hybrid) combina motor 1.2 PureTech de três cilindros de 136 CV com um elétrico de 28 CV (21 kW) para um valor combinado de 145 CV. O seu desempenho é eficaz e permite dispor de um modelo capaz de registar boas prestações com a eficiência da circulação frequente em modo elétrico – por distâncias limitadas –, embora a sua atuação derive muito do modo de condução escolhido. Em ‘Eco’, enfatiza-se a poupança com entrega da potência suavizada para maior poupança, com o motor elétrico a intervir mais vezes sozinho (a bateria carrega mais rapidamente). Já o modo ‘Normal’ traz uma melhoria das prestações, sem afetar em demasia a eficiência, enquanto o desempenho mais dinâmico cabe ao ‘Sport’, no qual o binário elétrico ajuda bastante na entrega da potência por parte do motor térmico.

Seja como for, é um sistema muito agradável e versátil, pese embora o ruído por vezes notório do 1.2 PureTech e momentos de transição entre os dois motores nem sempre polida. Quanto a consumos, é fácil situar-nos na casa dos 5 l/100 km (5,9 litros no teste).
Também o comportamento merece elogios, tratando-se de veículo muito seguro, com direção precisa e informativa e um amortecimento que, sem ser muito brando, equilibra bem o conforto com o dinamismo, resultando num modelo bastante interessante de explorar em percursos sinuosos.
Por fim, nota para o vasto leque de equipamento da versão GT, que justificam facilmente o preço de 32.838 € (com campanha, note-se), sendo que a unidade ensaiada custa 37.435 €.
Texto Miguel Silva Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
Sem mexer em demasia, a Peugeot fortaleceu o 308 com argumentos reforçados para continuar a impor-se no segmento C. As mudanças na imagem convencem, com a configuração do interior a permanecer como uma das melhores do segmento – apesar do i-Cockpit ser polarizador. O motor tem desempenho competente, com boas prestações e economia, enquanto a nota final positiva vai para o preço que em campanha valoriza muito o conjunto.
FICHA TÉCNICA
PEUGEOT 308 HYBRID 145 CV E-DCS6 GT
TIPO DE MOTOR Gasolina, 3 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.199 cm3
POTÊNCIA 136 CV às 5.500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 230 Nm às 1.750 rpm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa automática 6 velocidades
MOTOR ELÉTRICO
POTÊNCIA 28 CV (21 kW)
BINÁRIO 51 Nm
BATERIA 0,87 kWh; 48 V
V. MÁXIMA 210 km/h
ACELERAÇÃO 8,8 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 4,9 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 111 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.360 / 1.850 / 1.480 mm
PNEUS 225/40 R18
PESO 1.457 kg
BAGAGEIRA 412 l
PREÇO 38.085 € (32.835 € c/ campanha)
GAMA DESDE 33.535 € (28.285 € c/ campanha)
I. CIRCULAÇÃO (IUC) 111,46 €
LANÇAMENTO Novembro de 2025




















