Comprar um automóvel usado em Portugal continua a ser um negócio que exige cautela. Um novo estudo da carVertical, parceiro da “Revista Carros”, revela que mais de 40% dos veículos usados verificados no mercado nacional apresentam registos de danos, enquanto os casos de adulteração da quilometragem continuam a aumentar.
Os dados colocam Portugal na 15.ª posição entre 23 países analisados no Índice de Transparência do Mercado de Usados da Europa, um ranking que avalia os riscos enfrentados pelos consumidores na compra de veículos em segunda mão.
Fraude na quilometragem está a aumentar
Apesar de a média de quilómetros adulterados ter diminuído, o número de veículos afetados por esta prática continua a crescer.
Segundo a carVertical, 5,5% dos automóveis analisados em Portugal apresentavam indícios de manipulação da quilometragem em 2026, acima dos 3,8% registados no ano anterior. Em contrapartida, a média da adulteração caiu 11,6%, passando de 92.928 para 82.131 quilómetros.
Para Ramūnas Pletkus, especialista de dados da carVertical, muitos consumidores continuam sem ter plena consciência do impacto financeiro desta fraude. “Um conta-quilómetros adulterado não só engana o comprador como também aumenta artificialmente o valor do veículo, levando-o a pagar mais por um automóvel que vale menos do que aparenta”, explica.

Danos ocultos continuam a afetar quatro em cada dez veículos
O estudo revela ainda que 40,7% dos veículos verificados em Portugal possuíam registos de danos, um valor praticamente idêntico ao observado no ano passado (40,3%).
Embora o custo médio dos danos tenha diminuído ligeiramente, de 3.957 para 3.685 euros, a carVertical alerta que estes registos podem ter implicações diretas na segurança dos ocupantes.
Segundo a empresa, o histórico de acidentes e reparações constitui um dos indicadores mais importantes para avaliar o estado real de um automóvel usado antes da compra.
Menos importações, mas carros mais envelhecidos
O mercado português também registou uma redução na dependência de veículos importados. Os automóveis provenientes do estrangeiro representaram 53% dos veículos analisados este ano, abaixo dos 61,5% registados em 2025.
Por outro lado, a idade média dos veículos aumentou. Os carros verificados pela plataforma tinham, em média, 10,5 anos, face aos 10 anos registados no ano anterior.

Reino Unido lidera entre os mercados mais transparentes
No topo do Índice de Transparência surge o Reino Unido, seguido da Alemanha e da Suíça. A Finlândia e a França completam o grupo dos cinco mercados europeus considerados mais transparentes.
Segundo a carVertical, estes países distinguem-se por uma menor dependência de importações, economias mais robustas e sistemas mais eficazes de partilha de dados automóveis com os consumidores.
No extremo oposto da tabela encontram-se Ucrânia, Bulgária e Letónia, mercados onde a elevada percentagem de veículos importados, os casos de quilometragem adulterada e os registos de danos continuam a representar riscos significativos para os compradores.
Um mercado que exige cada vez mais informação
Para os especialistas da carVertical, o acesso ao histórico dos veículos tornou-se uma ferramenta essencial para reduzir riscos e evitar surpresas desagradáveis.
Numa altura em que a fraude na quilometragem volta a ganhar expressão em Portugal e quatro em cada dez automóveis apresentam registos de danos, verificar o passado de um veículo pode fazer a diferença entre um bom negócio e um problema dispendioso.
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