A União Europeia está a pressionar a China para limitar voluntariamente as exportações de automóveis híbridos para o mercado comunitário, numa tentativa de evitar uma escalada da guerra comercial entre os dois blocos e proteger a indústria automóvel europeia.
Segundo avançada o britânico “Financial Times“, esta quinta-feira, Bruxelas quer que Pequim reduza a quota dos veículos híbridos chineses para cerca de 15% das vendas na União Europeia. Atualmente, estes veículos representam mais de um terço do mercado, impulsionados por preços significativamente mais competitivos.
A ofensiva surge num contexto de crescente preocupação com o impacto das importações chinesas no setor automóvel europeu. Vários fabricantes do continente enfrentam reestruturações e cortes de postos de trabalho, pressionados pela forte concorrência dos modelos produzidos na China.
“Se a China não limitar as exportações para o nosso mercado, seremos nós a fazê-lo”, afirmou um responsável europeu citado pelo jornal britânico. A mesma fonte sublinhou que o objetivo passa por travar o processo de desindustrialização que ameaça diversos setores estratégicos da economia europeia.
Além do setor automóvel, Bruxelas terá solicitado sinais de contenção chinesa noutras áreas, e pretende igualmente aumentar as exportações europeias para o mercado chinês, reduzindo assim o elevado défice comercial entre as duas economias.
A pressão política intensificou-se depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter considerado que o desequilíbrio comercial com a China atingiu um “ponto crítico”. A líder europeia garantiu que a União utilizará “todas as ferramentas disponíveis” para reequilibrar as relações económicas com Pequim.
As negociações ganham particular relevância antes de novos encontros bilaterais previstos para as próximas semanas. O comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, deverá reunir-se com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, numa tentativa de encontrar uma solução negociada.
Bruxelas inspira-se num precedente histórico. Em 1986, o Japão aceitou limitar voluntariamente as exportações automóveis para a Europa, um compromisso que incentivou marcas como Toyota e Nissan a investir em fábricas locais e a reforçar parcerias com produtores europeus.
Com os preços médios em queda e a quota de mercado em forte crescimento, os híbridos chineses tornaram-se o novo foco das preocupações de Bruxelas, que procura evitar um agravamento da crise industrial no setor automóvel europeu.
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