O hidrogénio voltou a provar que não é apenas uma promessa futura, mas uma solução capaz de enfrentar os desafios mais extremos da engenharia automóvel.

O JCB Hydromax, protótipo equipado com dois motores de combustão a hidrogénio desenvolvidos pela marca britânica, acaba de estabelecer um novo recorde de velocidade na mítica Bonneville Speed Week que decorreu de 1 a 7 de agosto, o palco mais prestigiado do mundo para velocidade em terra.
O veículo experimental atingiu 585,5 km/h de velocidade máxima e fixou uma média oficial de 581,5 km/h, suficiente para derrubar o recorde da categoria Blown Gas Streamliner (AA/BGS), certificado pela Southern California Timing Association (SCTA).

Lendário palco de recordes
A proeza aconteceu nas Planícies Salgadas de Bonneville, no Utah, um deserto branco e perfeitamente plano que, há décadas, é o berço das maiores façanhas de velocidade terrestre. Ali, as regras são rígidas: para validar um recorde, a SCTA exige duas corridas em dias consecutivos, calculando a média entre ambas.
Com os seus 581,5 km/h, o Hydromax ultrapassa o anterior máximo de 560,5 km/h, estabelecido em 2010 pelo Spectre Streamliner — a primeira vez em 16 anos que esta marca é superada.

Ao volante esteve Andy Green, o homem mais rápido do planeta, recordista absoluto desde 1997 ao atingir 1.228 km/h com o Thrust SSC, tornando‑se o único ser humano a quebrar a barreira do som em terra.
Green explicou que este primeiro recorde serviu para validar o potencial do Hydromax e da tecnologia da JCB, antes do grande objetivo marcado para os próximos dias.

Engenharia ao limite
Com 9,75 metros de comprimento e 44 testes já realizados, o Hydromax tem sido alvo de uma evolução contínua: mais potência, mais velocidade, mais estabilidade. A JCB não revelou o coeficiente aerodinâmico (Cd) do protótipo, mas o JCB Dieselmax — que em 2006 fixou o recorde mundial para veículos a diesel com 563,5 km/h — alcançou um extraordinário Cd de 0,147, referência que influenciou o novo projeto.
Depois de conquistar o recorde SCTA, a equipa permanece em Bonneville para tentar o reconhecimento máximo: um recorde mundial oficial da FIA. Para isso, os engenheiros vão continuar a aumentar a potência dos dois motores a hidrogénio, que já debitam 1.600 cv combinados.

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