As vendas de automóveis na China, o maior mercado mundial, voltaram a cair em julho, completando dez meses consecutivos de recuo.
Segundo os dados revelados pela Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA), a queda das vendas em julho foi menos acentuada do que nos meses anteriores, mas continua a contrastar com o crescimento explosivo das exportações, que se tornaram o principal escape das marcas para compensar a concorrência feroz no mercado interno.
Segundo a CPCA, as vendas domésticas caíram 21,1% face a julho de 2025, totalizando 1,47 milhões de unidades. Já as exportações avançaram 88,2%, atingindo 923 mil veículos — um salto que evidencia a dependência crescente da indústria chinesa dos mercados externos, numa altura em que o consumo interno permanece frágil.

O contraste é ainda maior no segmento dos elétricos e híbridos plug‑in: as exportações dispararam 147,8%, enquanto as vendas internas recuaram 3,9%. No acumulado de janeiro a julho, o mercado chines perdeu 2,65 milhões de veículos, o que representa uma queda de 20,5%.
Perante este cenário, as marcas chinesas aceleram a expansão internacional, com foco na Europa, Sudeste Asiático, América Latina e Médio Oriente, criando uma divergência cada vez mais marcada entre a procura interna e externa.
Além disso, no mercado doméstico, algumas fabricantes tentam contrariar a tendência apostando no segmento premium, com modelos maiores e mais equipados — como a nova gama SkyNomad da Xiaomi, marca que só em 2027 vai chegar à Europa.
A pressão é visível entre os líderes do setor automóvel. A BYD, maior fabricante mundial de elétricos, enfrenta uma desaceleração interna, mas as remessas recorde para o exterior em julho impulsionaram as vendas globais pelo terceiro mês consecutivo.

Nem todas as marcas, porém, sentem o mesmo impacto. Segundo os dados da CPCA, a Leapmotor, apoiada pela Stellantis, ultrapassou 100 mil unidades vendidas em julho, mais do dobro do ano anterior. Um desempenho que os analistas atribuem à capacidade da marca de responder melhor às novas prioridades dos consumidores chineses.
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