O Presidente dos EUA voltou a apontar baterias aos veículos elétricos, desta vez com declarações ainda mais polémicas.
Num comício em Las Vegas, Donald Trump afirmou ter “acabado com o mandato elétrico” e classificou a preocupação com a autonomia como uma “doença” — um comentário que reacendeu críticas e levantou novas dúvidas sobre a estratégia energética da administração norte‑americana. Recomendo confirmar estes factos com fontes fiáveis.
A relação tensa de Trump com os elétricos não é nova. O afastamento de Elon Musk, CEO da Tesla, da administração norte-americana, onde chegou a ser um dos seus maiores aliados, marcou o início de uma postura cada vez mais hostil. Agora, o Presidente foi mais longe, descrevendo os condutores de carros elétricos como pessoas que “começam a entrar em pânico quando a bateria ainda está a 3/4”, insinuando que sofrem de uma espécie de perturbação.
A preocupação a que Trump se refere é a conhecida ansiedade de autonomia, um fenómeno real nas primeiras fases da mobilidade elétrica, mas que tem vindo a desaparecer graças a redes de carregamento mais densas, sistemas de previsão mais precisos e a uma autonomia cada vez maio dos veículos elétricos.
Durante o discurso, Trump voltou a insistir que travou um suposto “mandato elétrico” que obrigaria todos os americanos a comprar um elétrico nas próximas décadas. No entanto, nenhuma lei federal nos EUA impôs tal obrigação — nem até 2030, nem em qualquer outra data.
As políticas que o presidente dos EUA critica são, na verdade, normas de emissões e regras de veículos limpos da Califórnia, que incentivavam a produção de modelos elétricos, mas não impunham a compra ao consumidor. A administração Trump revogou parte dessas normas logo no início do segundo mandato.
Apesar das declarações exageradas, Trump mencionou um dado correto: os veículos elétricos representam apenas 7% das vendas nos EUA. Mas apresentou esse número como prova de falta de procura, ignorando que a própria administração contribuiu para essa estagnação ao reduzir incentivos e flexibilizar regras ambientais — e que, no resto do mundo, a transição para a mobilidade elétrica avança a um ritmo muito mais acelerado.
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