A Honda Motor Co. encerrou o trimestre de abril a junho com um salto histórico no desempenho financeiro: o lucro líquido mais que duplicou face ao ano anterior, alcançando 450,915 mil milhões de ienes (cerca de 2.500 milhões de euros), impulsionado pela procura robusta na América do Norte e pela desvalorização do iene. O resultado marca um ponto alto para a marca japonesa num momento em que o setor atravessa revisões profundas.
A empresa, porém, deixou de fora das contas as perdas associadas à reformulação do seu negócio de veículos elétricos — um recuo estratégico que inclui a suspensão do desenvolvimento de novos modelos e o abandono de planos para construir uma fábrica dedicada no exterior, após a queda global da procura por elétricos. “Ainda não conseguimos estimar o impacto financeiro total”, afirmou o diretor financeiro, Masao Kawaguchi, sublinhando que as negociações com fornecedores estão apenas a começar.
O lucro operacional também duplicou, atingindo 530,767 mil milhões de ienes (cerca de 2.900 milhões de euros), enquanto as vendas avançaram 13,5%, para 6,06 biliões de ienes (33.330 milhões de euros). A desvalorização do iene contribuiu com 90,8 mil milhões de ienes para este resultado, beneficiando a competitividade das exportações.
Apesar da queda nas vendas globais de automóveis — 786 mil unidades, abaixo das 839 mil do ano anterior devido ao abrandamento nos mercados asiáticos — a Honda viu a procura crescer no Japão e na América do Norte, onde os híbridos e modelos económicos ganharam tração com a escalada dos preços dos combustíveis.
A empresa enfrenta, contudo, novos desafios. As três fábricas de automóveis no Japão foram temporariamente suspensas após o sismo de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto. Sem danos estruturais relevantes, a Honda admite não saber ainda o impacto na produção, embora não espere interrupções prolongadas.
Com o trimestre a marcar um avanço sólido, a marca reviu em alta a previsão de lucro líquido anual para 400 mil milhões de ienes, (cerca de 2.200 milhões de euros) e de receitas para 24 biliões de ienes (cerca de 131.970 milhões de euros).
A Honda manteve ainda a projeção de vendas de automóveis para o ano, mas com a tradicional prudência alertou que admite vir a rever números à medida que avalia os efeitos da guerra no Irão sobre a economia global — um sinal de que, apesar do impulso recente, o horizonte permanece envolto em incerteza.
Leia também:


















