No coração dos Estados Unidos, onde o roncar dos V8 ainda ecoa como uma espécie de hino nacional, lançar uma pick up elétrica acessível como fez a Slate Automotive pode ser mais que um ato de rebeldia. Pode ser um ato visionário, que vai enfim conseguir abanar o mercado. Apadrinhado por Jeff Bezos, o projeto divide opiniões dentro da nossa própria equipa, entre os que assinam já por baixo e os que não reconhecem futuro a um modelo de trabalho que parece mais uma caixa de plástico com rodas do que um verdadeiro rival das gigantes americanas.

É espartano, básico e propositadamente despido de luxos. A versão “Blank Slate”, por 24.950 dólares (pouco mais de 21 mil euros), oferece 181 CV, 330 km de autonomia e uma velocidade máxima de 145 km/h.
Números modestos, sim, mas que fazem sentido quando o alvo é um público que quer um veículo funcional sem pagar o preço de um Tesla ou de uma Ford F-150 Lightning.
Ao contrário destas, a Slate não foi feita para divertir, mas para ir do ponto A ao B com o mínimo de complicações.

Manifesto anti-tecnologia. E porque não?
O interior é um verdadeiro manifesto anti-tecnologia. Sem ecrã central, sem Apple CarPlay, sem assistentes de condução sofisticados. Apenas um suporte para telemóvel, um sistema de som Bluetooth opcional, e uma única câmara de marcha-atrás. Até os vidros são manuais. Parece um regresso aos anos 90, mas com alma elétrica. E isso pode ser encantador para uns, mas frustrante para quem já se habituou à digitalização total do habitáculo.
A verdade é que o Slate Auto Truck cumpre o que promete: é simples, barato e fiável no essencial. Mas será isso suficiente para conquistar os americanos? Para alguns, é um “tela em branco” perfeito para personalizações e projetos “faça você mesmo”. Para outros, é um passo atrás num mundo que corre para a frente.
No fundo, a Slate arriscou tudo ao apostar na simplicidade radical. Pode ser visionária por antecipar um nicho de consumidores cansados do excesso tecnológico, ou pode estar a construir um futuro sem grande adesão, num país onde a pick up ainda é sinónimo de potência e presença. Uma coisa é certa: gostaríamos de a ver por cá!















