A sede da Bugatti, em Molsheim, viveu nos últimos dias um momento simbólico: o fim da produção do Mistral, o roadster que encerra 20 anos de modelos equipados com o lendário motor W16 — um capítulo que redefiniu o conceito de superdesportivo.

Apresentado no Monterey Car Week de 2022, o W16 Mistral conquistou imediatamente o público global. As 99 unidades foram vendidas muito antes do início da produção artesanal, e cada exemplar passou pela divisão Sur Mesure, onde a personalização é tratada como alta-costura automóvel. Resultado: preços acima dos 5 milhões de euros, sem impostos, e configurações verdadeiramente únicas e dignas de um museu.
Entre elas destaca-se o “Blanc Éternel”, uma peça singular com elementos de porcelana fabricados manualmente por uma empresa de Berlim — um exemplo claro de como alguns clientes levaram o conceito de personalização ao limite.
O último da espécie
O derradeiro W16 Mistral a sair do atelier de Molsheim foi concebido como uma homenagem ao próprio motor. A inscrição “O último da sua espécie” surge numa placa interior, acompanhada pela silhueta do modelo, reforçando o simbolismo de despedida.

O exterior combina tons Pérola e Brilho, enquanto o habitáculo mistura Magnólia com Cinza Carbono Fosco. Mas o design vai além da estética: remete para as origens da era moderna da Bugatti, quando Ferdinand Piëch definiu a ambição que moldaria o W16 — um carro capaz de ultrapassar os 400 km/h e, ainda assim, elegante o suficiente para chegar à ópera na mesma noite.
“Com este superdesportivo, quisemos reunir tudo o que o W16 Mistral representa desde o primeiro esboço: uma experiência de condução incrível com a capota aberta, que presta homenagem ao caráter incomparável do W16, juntamente com detalhes que remetem à rica herança da marca e, em particular, a Ettore. A combinação de cores transmite uma elegância natural, fiel ao espírito do W16 Mistral em cada detalhe. É um carro profundamente pessoal e perfeito para encerrar a produção”, disse Jascha Straub, diretor da divisão de personalização da Bugatti.
Tourbillon: o futuro híbrido já começou
O fim do Mistral marca também uma viragem industrial. A produção terminou, mas a Bugatti já inaugurou uma nova fábrica em Molsheim, onde será construído o próximo hipercarro: o Tourbillon.
Este modelo inaugura uma nova era tecnológica, com um sistema híbrido que combina: um V16 atmosférico de 8,3 litros, capaz de produzir 1000 cv às 9000 rpm; três motores elétricos, que acrescentam 800 cv
A potência combinada ascende a 1.800 cv, posicionando o Tourbillon como o sucessor espiritual — e tecnológico — do W16, agora com ambições ainda mais elevadas.

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