Pomos à prova o que será provavelmente um dos automóveis mais peculiares do ano. O DS Nº8 estreia uma era na marca francesa com uma aposta que promete eficiência, muita autonomia em uso real, conforto de primeira e tecnologia de ponta. Será tudo verdade? Vamos a isso.

O DS Nº8 é daqueles automóveis que precisam de uma explicação prévia para serem compreendidos. Talvez como todos os veículos provenientes da marca mais original da Stellantis. Mede 4,82 metros de comprimento, pelo que substitui naturalmente o DS 9, mas ao mesmo tempo afasta-se do tradicional perfil de berlina. É mais alto e adota uma silhueta coupé com porta traseira, imagem que completa com grandes faróis, muitos vincos e um jogo de cores que conjuga elegância e um aspeto até futurista.
Desde logo, ostenta o selo DS em cada traço. Aliás, múltiplos elementos, como a grelha (que pode ser iluminada), as pegas de porta escamoteáveis e as carenagens inferiores trabalham em conjunto para atingir um coeficiente aerodinâmico (Cx) muito baixo, de apenas 0,24.

Não o mencionei, mas este Nº8 é um veículo exclusivamente elétrico. Pelo menos é isso que confirma a DS, que garante que não haverá versão com mecânica de combustão. Talvez com a inconstante regulamentação a nível europeu acabemos por vê-lo como PHEV. Seja como for, a gama é completa e propõe até três níveis de potência, um deles com tração integral. Este exemplar testado fica a meio caminho: tração dianteira, 245 CV de potência… mas está associado à bateria maior.
Grande autonomia
Assim, sob o piso surge a bateria mais avançada da Stellantis, uma unidade de 97,2 kWh úteis, uma das maiores do seu género. É, sem dúvida, a estrela do conjunto. Graças a uma eficiência comprovada e a esta bateria, este Nº8 anuncia uma autonomia superior a 700 km em utilização mista. A nossa experiência? Algo longe desses dados, receio.
Rodámos mais de 1.000 km com o automóvel em muitas situações, inclusive numa viagem de longa distância, e a eficiência não foi dos pontos mais positivos. A média de consumo em estrada foi de 22,4 kWh/100 km, e a total, em uso misto, de 21,7. Números aquém do esperado, atenuados, como dizia, pelo tamanho da bateria. Graças a ela, consegue cerca de 400 km em quase qualquer cenário, inclusive em autoestrada, em viagens de longa distância. É preciso reconhecer que as condições de teste não foram as mais ideais (chuva, temperaturas não superiores a 10º…), mas devemos admitir que esperávamos melhores resultados.
Por outro lado, a carga cumpre nos números, contudo, também não é referência. São 160 kW de potência de pico (o Audi A6 e-tron, um Hyundai IONIQ 6 ou o Volkswagen ID.7 carregam bastante mais depressa), mas chegam para não parar mais de 20-25 minutos para o reabastecer. A verdade é que, de acordo com a nossa experiência, tão pouco conseguimos esses resultados, com potências máximas de 125 kW no melhor dos casos. Mais uma vez, é muito provável que o frio desses dias sirva de desculpa.

Conforto acima de tudo
Em todo o caso, é preciso admitir que, tecnologia elétrica à parte, a DS acertou em cheio na afinação do chassis. É um carro com uma mentalidade clara: oferecer o máximo conforto aos ocupantes. E isto fica mais do que bem resolvido. A unidade testada equipa amortecedores adaptativos, sistema já conhecido em modelos como o DS 9, cuja particularidade é ler as condições do asfalto através de uma câmara e sensores e adaptar-se preventivamente ao estado do piso que vamos encontrar.
Funciona e funciona muito bem, dotando este Nº8 de uma excelente capacidade de filtragem. A isso junta muito boa estabilidade (a grande distância entre eixos tem uma boa quota-parte de responsabilidade), uma insonorização exemplar e uma direção comunicativa. Diríamos que o melhor do automóvel é isto, uma afinação dinâmica que cumpre com o que se espera de um DS.
De igual forma, existem elementos ‘novos’ para a Stellantis, como a regeneração de energia selecionável através de patilhas no volante ou o modo one-pedal, que permite gerir melhor a energia, especialmente em cidade. Ambiente no qual a aceleração é extremamente suave. É que apesar dos seus 245 CV (com picos de 280), o motor liberta a potência de maneira tão progressiva que até parece que anda menos do que a realidade.
Luxo e conforto
Ora bem, nada mais longe da realidade, as prestações são mais do que corretas e não encontramos um ponto em que desejássemos mais desempenho. Se for necessário, a versão de tração integral supera os 300 CV e de certeza que a sua entrega de energia será claramente mais selvagem.
Por fim, os ocupantes sentem-se num ambiente acolhedor, de primeira, e até luxuoso, com limites. À margem do desenho, também peculiar no intyerior, a seleção de materiais é rigorosa (salvando algumas peças plásticas pouco lustrosas em zonas menos expostas) e, em geral, salvo alguns pormenores, o impacto é positivo. Outra coisa é o tamanho, correto para quatro ocupantes de estatura média, embora atrás os joelhos fiquem altos. A bagageira é outra história: acesso através de uma grande porta e mais de 620 litros, muito bom.
Texto Eduardo Lausín Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
Admito que esperava uma eficiência muito maior, mas atribuo-o às condições climatéricas. Quanto ao resto, conforto excecional, muito bom equipamento e, em geral, uma agradável sensação de robustez ao volante.
FICHA TÉCNICA
DS Nº8 ÉTOILE FWD LONG RANGE 245 CV
TIPO DE MOTOR Elétrico, síncrono de ímanes permanentes
POTÊNCIA 245 CV (180 kW)
BINÁRIO MÁXIMO 343 Nm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa de relação única
BATERIA Iões de lítio, 97,2 kWh
AUTONOMIA (WLTP) 750 km (909 km em cidade)
TEMPO DE CARGA 10h20 a 11 kW CA (0-100%)
27 min. a 160 kW CC (20-80%)
V. MÁXIMA 190 km/h
ACELERAÇÃO 7,8 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 15,9 kWh/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 0 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 4.820 / 1.900 / 1.580 mm
PNEUS 235/50 R20
PESO 2.180 kg
BAGAGEIRA 620-1.873 l
PREÇO 71.100 €
GAMA DESDE 59.000 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 0 €
LANÇAMENTO Julho de 2025






















