A afirmação surgiu depois de Montezemolo ter afirmado que o Ferrari Luce – o primeiro elétrico da marca – “arrisca destruir um mito” e de ter sugerido que “retirem o Cavallino daquele carro”. O comentário sobre os chineses, feito em tom crítico e algo irónico, foi interpretado como um duplo ataque: ao novo modelo da Ferrari, que o antigo líder considera indigno da marca, e à indústria automóvel chinesa, frequentemente acusada no Ocidente de replicar designs e tecnologias de concorrentes estabelecidos.
“A frase tem muito peso porque não vem de um comentador qualquer”, recorda-se no setor. Montezemolo foi o arquiteto da era de Michael Schumacher e da afirmação da Ferrari como uma das marcas mais valiosas do mundo. Ao dizer que os chineses não vão copiar o Luce, o italiano insinua que o modelo nem sequer é bom o suficiente para merecer ser imitado – um golpe de reputação duplo, dirigido tanto à sua antiga casa como à concorrência asiática.
A declaração gerou controvérsia, com alguns analistas a considerá-la um desabafo saudosista de quem não aceita a eletrificação, e outros a vê-la como um aviso legítimo sobre os riscos de a Ferrari descaracterizar a sua identidade. A marca de Maranello, entretanto, não se pronunciou oficialmente sobre as palavras do antigo líder.