A VW alertou esta quinta‑feira para a necessidade de cortes mais profundos nos custos, depois de registar uma forte quebra nos lucros no primeiro trimestre de 2026.
O grupo alemão anunciou um lucro líquido de 1.290 milhões de euros, uma descida de 29% face ao mesmo período do ano anterior, penalizado sobretudo pela queda das vendas na China e nos Estados Unidos.
Segundo os dados divulgados, o volume de negócios recuou 2,5%, para 75.657 milhões de euros. Já o resultado operacional caiu 14,3%, para 2.463 milhões de euros, reduzindo a margem operacional para 3,3% (face aos 3,7% de 2025).
Cortes planeados não chegam
Num contexto económico desafiante, o Grupo VW pretende reduzir custos em 1.000 milhões de euros e acelerar a transformação interna. “Os cortes de custos planeados até agora não chegam”, afirmou o diretor financeiro, Arno Antlitz. “Precisamos de mudar fundamentalmente o nosso modelo de negócio e alcançar melhorias estruturais e sustentáveis em todas as áreas. Se não o fizermos, colocamos o nosso futuro em risco”.
O plano poderá incluir redução dos custos de produção, cortes significativos nos custos gerais e maior eficiência industrial, acelerando simultaneamente o desenvolvimento tecnológico e os processos de decisão.
Antlitz acrescentou ainda que as tarifas impostas há um ano pelos EUA representam um encargo adicional de cerca de 4 mil milhões de euros por ano para o grupo.
Vendas globais em queda, sinais positivos na Europa
Entre janeiro e março, a VW vendeu 2 milhões de veículos, menos 7% do que no mesmo período de 2025. As quebras na China (-20%) e na América do Norte (-9%) foram parcialmente compensadas pelo crescimento na América do Sul (+3%), Europa Ocidental (+1%) e Europa Central e de Leste (+7%).
Para 2026, o grupo prevê um crescimento das vendas globais entre 0% e 3%, com uma rentabilidade operacional situada entre 4% e 5,5%.


















