A Stella Juva, desenvolvida por estudantes da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, nos Países Baixos, concluiu com sucesso os testes dinâmicos no Quénia, afirmando-se como a primeira ambulância movida exclusivamente a energia solar.
Os ensaios realizados em agosto, demonstraram que o veículo é capaz de gerar mais energia do que consome, operando sem ligação à rede elétrica ou recurso a combustível — uma solução pensada para regiões remotas e sem infraestruturas.

Criada por 23 estudantes, em parceria com a organização de saúde Amref Health África, a Stella Juva foi concebida para levar atendimento médico a comunidades isoladas, onde a eletricidade é escassa e o acesso a cuidados básicos é limitado. O veículo integra painéis solares no tejadilho e módulos extensíveis nas laterais, responsáveis por alimentar tanto a propulsão como os equipamentos médicos.
Testes em estradas difíceis e mais de 800 km percorridos
A ambulância solar foi testada na região de Narok, no Quénia, em estradas pavimentadas e não pavimentadas. Num dos trajetos mais exigentes, até Mosiro, a equipa percorreu mais de 800 quilómetros ao longo de seis horas, enfrentando terrenos particularmente difíceis. O único contratempo foi um volante partido, substituído em meia hora, sem impacto relevante no desempenho global da ambulância movida a energia solar.

O equipamento médico inclui raio‑X, ultrassom, desfibrilador automático e sistema de refrigeração para vacinas. Num teste de dois dias, a Stella Juva demonstrou capacidade para atender cerca de 200 pacientes, segundo a Solar Team Eindhoven e a Amref Health África. Quando estacionada, produziu mais energia solar do que consumiu, mesmo com todos os dispositivos médicos em funcionamento simultâneo.
Um novo capítulo na mobilidade solar
A Solar Team Eindhoven tem vindo a desenvolver projetos de veículos sustentáveis desde 2013, incluindo a Stella Vita, uma carrinha de campismo movida a energia solar, e a Stella Terra, descrita como o primeiro veículo todo‑o‑terreno solar do mundo. A Stella Juva junta-se agora a este portefólio como uma proposta de impacto direto na saúde pública.

Os estudantes afirmam estar abertos a parcerias que permitam aperfeiçoar a ambulância solar e explorar a sua implementação em larga escala, acreditando que o projeto pode inspirar empresas, organizações sociais e governos a desenvolver soluções inovadoras para desafios globais de saúde.
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