Na Coreia do Sul, o sindicato dos trabalhadores da Hyundai Motor está a preparar uma possível greve motivada pelo avanço da automação e pela entrada de robôs humanoides nas linhas de produção. A tensão cresce à medida que os operários temem perder espaço para máquinas cada vez mais sofisticadas.
Segundo avança o britânico “Financial Times”, os funcionários da Hyundai — membros do Sindicato dos Metalúrgicos Coreanos — exigem participar em qualquer decisão relacionada com automação e implementação de inteligência artificial. Além disso, reivindicam um bónus de desempenho equivalente a cerca de um terço do lucro anual da Hyundai, o que representaria aproximadamente 27 mil dólares por trabalhador, num universo de 73 mil funcionários.
“Estamos preocupados com a segurança no emprego por causa dos robôs”, afirmou um sindicalista ao Financial Times. “Notícias e vídeos que mostram robôs a tornar‑se mais habilidosos deixam os trabalhadores nervosos quanto ao futuro.”
A apreensão não é infundada. Em janeiro, a Hyundai anunciou que pretende introduzir robôs humanoides Atlas, desenvolvidos pela sua subsidiária Boston Dynamics, na fábrica da marca na Geórgia a partir de 2028. Na altura, o sindicato garantiu que “nenhum robô com novas tecnologias” entraria na linha de produção sem acordo prévio.
Mas, em maio, a Hyundai revelou a verdadeira dimensão dos seus planos: pretende implantar mais de 25 mil robôs humanoides nas suas fábricas, segundo informações partilhadas com investidores — um salto tecnológico que intensificou o receio de “choques no emprego”, como descreve o Financial Times.
A empresa insiste que os robôs serão usados apenas em tarefas exaustivas, repetitivas ou perigosas, que os trabalhadores não querem ou não devem executar. O sindicato, porém, teme que esta narrativa seja apenas o início de uma substituição mais profunda.
Recorde-se que nos últimos anos, o sindicato da Hyundai tem ameaçado greves por questões salariais, mas tem conseguido evitar paralisações totais através de negociações. A última greve geral ocorreu em 2018 — e a atual disputa pode tornar‑se o maior teste à relação entre trabalhadores e a implementação de robôs na indústria automóvel.
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