A Hennessey continua a construir a sua reputação com máquinas radicais, capazes de desafiar recordes e redefinir limites.
Depois de levar o Venom F5 a patamares quase irreais — com versões como o Evolution e o F5‑M, ambos com 2.031 cv — o preparador texano apresenta agora o terceiro superdesportivo da sua linhagem: o Blackbird, um modelo que rompe com a lógica dos hiperdesportivos modernos ao apostar numa filosofia analógica e visceral.
O nome presta homenagem ao mítico avião Lockheed SR‑71 Blackbird, símbolo de velocidade e engenharia funcional. E é precisamente essa inspiração que molda o novo hiperdesportivo: um design depurado, focado no essencial, e uma mecânica que rejeita a eletrificação para preservar a pureza da condução.
O Hennessey Blackbird estreia um motor V8 6.2 atmosférico, desenvolvido em parceria com a Ilmor Engineering, com potência estimada entre 800 e 850 cv às 9.000 rpm. A caixa é manual de seis velocidades, com seletor em H — uma raridade absoluta num segmento dominado por transmissões automáticas de dupla embraiagem — e envia a potência exclusivamente para o eixo traseiro.

Apesar da abordagem purista, o desempenho é tudo menos tímido: 0–100 km/h em 2,5 segundos, 354 km/h de velocidade máxima e um peso inferior a 1.360 kg, graças a uma nova estrutura monocoque em fibra de carbono.
O interior reforça a filosofia analógica. Não há ecrãs digitais: apenas mostradores físicos colocados à frente do condutor. Para ligar o Blackbird, é necessária uma chave tradicional — nada de cartões ou botões. O volante segue a mesma lógica, com um design clássico e sem comandos integrados. A conectividade existe, mas de forma discreta: Apple CarPlay e Android Auto funcionam diretamente no smartphone do condutor, sem recorrer a um ecrã embutido.

Um detalhe curioso destaca a ligação ao SR‑71: a secção frontal do painel integra uma projeção estilizada em 3D da aeronave, como se estivesse a descolar da dianteira do carro.
“O Blackbird não foi criado para números. Foi criado para emoção”, referiu John Hennessey sobre a filosofia do projeto, com a marca a reforçar que não se trata de um sucessor do Venom F5, mas de um superdesportivo de culto, pensado para quem procura uma ligação direta entre máquina e condutor.
Com a produção do Venom F5 prevista para terminar em 2028, o Blackbird assume-se como o próximo pilar da Hennessey Special Vehicles — e como uma das propostas mais puristas da era moderna dos hiperdesportivos.

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