A Mercedes está a explorar formas de transformar os vidros do carro em superfícies de exibição; e há duas tecnologias em desenvolvimento que prometem revolucionar a forma como interagimos com o automóvel.
Se há coisa que a Mercedes-Benz não dispensa, é um ecrã. Depois de preencher o habitáculo com painéis digitais, os engenheiros da marca parecem ter encontrado o próximo território a conquistar: os vidros do próprio carro. Esta semana, a fabricante revelou duas novas abordagens tecnológicas, uma chamada “Intelligent Display in Glass” e outra batizada de “Holographic Display”.
Informação projetada nos vidros
A primeira solução consiste em integrar elementos de LED diretamente no vidro. A ideia é simples: em vez de apenas acender as luzes de travão, o carro poderia comunicar aos condutores que seguem atrás o motivo exato da travagem — seja um acidente, uma passadeira ou qualquer outra situação. Entre os exemplos mostrados pela Mercedes, há até uma mensagem que diz simplesmente “MANTENHA A DISTÂNCIA”. Pode não acalmar um condutor agressivo, mas tem o seu lado divertido.
A marca está a estudar duas variantes de LED para esta aplicação: os Mini LEDs, mais adequados para áreas maiores no vidro traseiro, e os Micro LEDs, que pela maior resolução permitem animações em zonas mais pequenas — como os vidros laterais, onde o carro pode mostrar ao condutor o estado da bateria ou um simples “adeus” quando este se afasta. Segundo a Mercedes, quando nada está a ser exibido, os elementos laminados no vidro “permanecem quase invisíveis” — o “quase” deixa algumas dúvidas que só uma observação ao vivo poderá esclarecer.
Projeção holográfica no para-brisas
A segunda tecnologia apresentada é o Holographic Display, que funciona como um HUD levado ao extremo. Um projetor instalado no painel de instrumentos lança conteúdo sobre um para-brisas com uma película transparente especial laminada no vidro. A Mercedes garante que a imagem só é visível em ângulos específicos — ou seja, o condutor não vê o que é projetado à frente do passageiro, e vice-versa. Na prática, o passageiro poderia estar a ver um filme enquanto o condutor recebe informações de navegação.
Nas imagens divulgadas, o resultado parece mais nítido e colorido do que um HUD convencional, assemelhando-se a uma projeção de cinema em casa — embora os exemplos mostrados pela marca (imagens de veículos Mercedes e do estado do tempo) não sejam particularmente empolgantes.
Futuro, mas ainda distante
Como seria de esperar, a Mercedes faz questão de sublinhar que todas estas ideias são apenas demonstrações de abordagens potenciais. Nenhuma delas deverá chegar a um carro de produção tão cedo, já que continuam em fase de desenvolvimento. Ainda assim, o momento parece oportuno para os entusiastas — ou céticos — darem a sua opinião à marca sobre se querem (ou não) ecrãs nos vidros do próximo automóvel.
















