A corrida global às baterias está a levar os gigantes chineses a investir milhares de milhões a nível global e Portugal não ficou de fora. Em Sines, a CALB prepara uma das maiores fábricas de baterias da Europa, integrada numa estratégia internacional que já mobilizou cerca de 90 mil milhões de dólares.
Segundo avança esta quarta-feira o jornal britânico “Financial Times”, empresas como a CATL, BYD, Gotion, Sungrow e CALB estão a acelerar a construção de fábricas e cadeias de abastecimento fora da China, numa resposta direta ao endurecimento das políticas comerciais e às exigências de produção local impostas por várias economias ocidentais.

Europa torna-se prioridade
A Europa surge entre os principais destinos desta vaga de investimento. Desde 2023, o continente atraiu aproximadamente 31,5 mil milhões de dólares, ficando apenas atrás do Sudeste Asiático.
Entre os projetos mais relevantes está o investimento superior a mil milhões de euros anunciado pela Gotion, em parceria com a Volkswagen, para produzir baterias em Espanha, na Eslováquia e em Marrocos.
A expansão reflete uma estratégia construída ao longo da última década. Graças aos investimentos realizados na China, as empresas do setor ganharam escala industrial, reduziram custos e aperfeiçoaram processos produtivos, alcançando uma vantagem difícil de replicar pelos concorrentes internacionais.
De acordo com o “Financial Times”, uma gigafábrica pode ser construída na China por cerca de um terço do custo e em apenas um terço do tempo necessário para erguer uma unidade semelhante na Europa.

Produção local ganha importância
Apesar dessa vantagem competitiva, os fabricantes chineses admitem que a localização da produção será determinante nos próximos anos. “Independentemente do que as regulamentações exigirem, temos de localizar a produção dos principais componentes”, afirmou Zhu Lingbo, diretor tecnológico da divisão internacional da CATL.
A principal fabricante mundial de baterias está atualmente a analisar novos locais para futuras fábricas e mantém negociações com vários governos europeus, depois de já ter estabelecido unidades produtivas na Alemanha, Hungria e Espanha.
Bruxelas pretende que a União Europeia disponha de uma cadeia de abastecimento de baterias totalmente localizada até ao final da década. No entanto, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis alerta que esse objetivo exigirá mais tempo devido à escassez de conhecimento tecnológico, matérias-primas e competitividade de custos.
Portugal entra no mapa das baterias
Portugal poderá desempenhar um papel relevante nesta estratégia global através do projeto da CALB em Sines.
A fabricante chinesa prevê investir cerca de 2.065 milhões de euros numa unidade destinada à produção de baterias de lítio, com capacidade anual de 15 gigawatts-hora. O projeto deverá criar cerca de 1.800 postos de trabalho diretos, tornando-se um dos maiores investimentos industriais previstos para o país.
Em maio, a empresa adjudicou a primeira fase da construção da fábrica, através de um contrato avaliado em 207,3 milhões de euros.
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