A startup chinesa AIVA escolheu o prestigiado palco da Semana da Moda de Paris, que arrancou no final de setembro, para realizar a estreia mundial do seu primeiro veículo de produção: o futurista ME7.
Lançada oficialmente em Pequim, na China, em junho, o novo ME7 alia inteligência artificial a um design biomimético, área da ciência que estuda as estruturas, os processos e as estratégias da natureza para criar soluções inovadoras e sustentáveis para os problemas humanos, pretendendo dessa forma redefinir a ligação entre condutor e veículo.

“Olhos” interativos e design biomimético
O grande destaque do ME7 são os seus faróis de pixel de alta precisão “Smart Light Eyes” (Olhos de Luz Vibrantes). Com estruturas que simulam a transparência e a profundidade dos olhos biológicos, o conjunto elétrico é capaz de interagir e expressar emoções dinâmicas em resposta aos gestos das pessoas, respondendo com diferentes “olhares”.
A filosofia estética do modelo inspira-se na “beleza da vida” e nas formas fluidas da natureza, integrando um frente “submersível” e para-choques dianteiro em formato de barbatana de tubarão para otimizar a aerodinâmica.
O perfil fluido conta com dez dutos de ar integrados e um spoiler traseiro em formato de “cauda de baleia dupla”, sendo acompanhado por opções de jantes inspiradas em asas de aves ou membranas de insetos. A paleta de lançamento inclui as cores Prata Lobo do Mar, Roxo Coral e Vermelho Flamingo, todas projetadas para mudar de tom consoante a iluminação e a perspetiva.

Dimensões e posicionamento de mercado
Com 4.850 mm de comprimento e uma distância entre eixos de 2.900 mm, o ME7 posiciona-se firmemente no competitivo segmento dos SUV crossover médios. A sua entrada no mercado coloca-o em rota de colisão direta com rivais de peso no setor elétrico, disputando a atenção dos consumidores frente ao Tesla Model Y, referência global do segmento, ao Xiaomi SU7, conhecido pelo apelo tecnológico junto do público jovem, bem como o XPeng G6, escolha popular na China para quem procura recursos inteligentes.
Poder industrial e bastidores operacionais
O ME7 é produzido pela Saidou Technology (anteriormente conhecida como Landian Technology). A sua estrutura societária conta com capital estatal através da Chongqing Shapingba (Shaci Zhiyuan) como maior acionista, além do envolvimento direto de pesos-pesados da indústria: a Seres detém 32,96% da empresa e a CATL (a maior fabricante mundial de baterias) detém cerca de 9,89%. Embora a Saidou Technology gira a estratégia da marca, a tecnologia e as vendas de forma independente, a produção em massa do modelo é assegurada na fábrica Fênix da Seres, garantindo a agilidade necessária no desenvolvimento de cockpits inteligentes e condução autónoma avançada.

O desafio global
A estreia europeia faz parte de uma jogada estratégica da Seres e da CATL para expandir a sua presença internacional e atrair consumidores mais jovens e focados em tecnologia. Após vendas modestas em 2025, o sucesso do ME7 é visto como crucial para consolidar a marca e estabelecer uma posição sólida fora do mercado chinês, nomeadamente no mercado europeu, embora a AIVA ainda não tenha divulgado dados sobre preços, autonomia ou especificações técnicas da bateria do novo ME7 que pode chegar ao mercado no próximo ano.
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