Depois da Volkswagen, agora foi a vez da Jaguar Land Rover (JLR) anunciar um plano de reestruturação que prevê a eliminação de cerca de 4.000 postos de trabalho ao longo dos próximos dois anos, através de programas de saídas voluntárias.
A medida representa uma redução de quase 10% da força de trabalho da construtora britânica e surge num contexto de crescente pressão sobre a indústria automóvel mundial.
Detida pelo grupo indiano Tata Motors, a JLR procura reduzir custos e aumentar a competitividade numa fase marcada pela forte concorrência dos fabricantes chineses, pelas incertezas geopolíticas e pelo impacto das tarifas comerciais em vários mercados internacionais.
A empresa revelou que pretende alcançar uma poupança de cerca de 1,7 mil milhões de libras (aproximadamente 2,3 mil milhões de dólares) e reduzir o seu ponto de equilíbrio para perto das 300 mil unidades anuais, tornando a operação mais eficiente e resiliente.
Atualmente, a Jaguar Land Rover emprega cerca de 43 mil pessoas em todo o mundo, das quais aproximadamente 34 mil trabalham no Reino Unido. A marca não especificou, contudo, quais as fábricas ou departamentos que serão afetados pelos cortes.
Setor automóvel sob pressão
Em comunicado, o CEO da JLR, PB Balaji, justificou a decisão com os desafios sem precedentes que o setor enfrenta. “A indústria automóvel enfrenta desafios significativos, numa altura de transformação tecnológica acelerada, intensa concorrência e contínua incerteza geopolítica.”
O anúncio surge numa altura em que vários construtores estão a avançar com programas de redução de custos. Recentemente, a Volkswagen aprovou novos cortes de postos de trabalho no âmbito do seu plano para enfrentar o excesso de capacidade produtiva, a pressão dos custos e o rápido crescimento dos fabricantes chineses.
Recuperação após ciberataque
Além das dificuldades estruturais do mercado, a Jaguar Land Rover continua a recuperar dos efeitos de um ciberataque registado em 2025, que provocou uma prolongada interrupção da produção e afetou a cadeia de fornecedores da empresa.
A reestruturação agora anunciada representa igualmente um revés para o Governo britânico, que procura estimular o crescimento económico num período de abrandamento da atividade.
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