A Dacia entra num segmento totalmente novo para si com o Bigster, um SUV com mais de 4,5 metros de comprimento que responde à procura crescente por modelos espaçosos e versáteis, mas sem penalizar a filosofia de valor justo. Nesta versão mild hybrid de 130 CV, a tração integral dá-lhe atributos melhorados para além do alcatrão.

Com o Duster a ser um caso de sucesso há mais de dez anos, a Dacia viu espaço na sua gama para lançar um modelo acima desse, o Bigster, entrando numa classe no qual nunca tinha tido qualquer representante, o dos SUV de segmento médio. Sem esconder a familiaridade entre os dois modelos, a marca dá aos Duster e Bigster objetivos muito diferentes, cabendo a este segundo a missão de oferecer maior habitabilidade e competências de carga, tirando partido de base (CMF-B) e de componentes partilhados.
Quer por fora, quer por dentro, o Bigster não se afasta muito do Duster em termos visuais, embora no exterior sobressaia por ser mais robusto e volumoso, sobretudo quando visto de traseira. Aqui, a inscrição ‘Bigster’ no elemento decorativo no pilar C parece servir, sobretudo, para clarificar confusões.

Fácil de viver
Sendo um Dacia, revela habitáculo a pensar na durabilidade e na correção da montagem de todos os painéis, apesar de abdicar de materiais macios ao tato. Com efeito, o interior é maioritariamente composto por plásticos duros, facto compensado pela boa aparência geral e por diversos apontamentos coloridos, casos da tonalidade cobre específica da versão Extreme ou do cinzento no tablier e na consola central. Outro elemento próprio da versão é o revestimento dos bancos em TEP MicroCloud, também com elementos coloridos.
Além disso, vale a pena destacar a correção de todos os comandos, incluindo teclas físicas para a climatização e a vertente tecnológica elaborada, com instrumentação de 10” personalizável (até com rotas de navegação) associada a ecrã tátil de 10,1” para o sistema Media Nav Live de aparência simples, mas a oferecer tudo o que é necessário, como navegação e ligação a Apple CarPlay e Android Auto sem fios. Há ainda carregador sem fios para smartphone.
Mais espaçoso
Indubitavelmente, o Bigster apela a quem procura espaço e funcionalidade, com os seus 4.570 mm de comprimento e 2.704 mm de distância entre eixos a superarem largamente os valores apresentados pelo Duster (na última medida é mesmo 47 mm maior). O resultado desse acréscimo fica patente nas cotas generosas do habitáculo, principalmente nos lugares traseiros, nos quais se acomodam facilmente adultos de maior estatura. Existe, então, mais espaço para as pernas e em altura e largura.
É nessa competência interior mais vincada que o Bigster joga uma das suas cartas decisivas, até porque acompanha-a com bagageira bastante ampla – 510 litros no caso da versão testada, com pneu suplente (150 €) incluído, o qual rouba algum espaço. Rebatendo os encostos traseiros (configuração 40/20/40), passa-se a dispor de 1.813 litros. Ainda no lado funcional, apresenta vários locais de arrumação, banco central traseiro transformável em encosto de braço generoso e ‘ganchos’ YouClip, que permitem acoplar dispositivos opcionais, como lanternas ou suportes para sacos.
Condução cumpridora
A posição de condução elevada é sinónimo de visibilidade acrescida, sendo um dos aspetos positivos de um SUV com propulsor 1.2 TCe de 130 CV e 230 Nm de binário, associado a caixa manual de 6 velocidades e sistema mild hybrid de 48 V, que auxilia o motor a gasolina nas acelerações e nas retomas. Não tendo carácter desportivo, o conjunto é suficientemente eclético para desempenho convincente em estrada, tanto na cidade, como em autoestrada, com disponibilidade satisfatória na larga maioria das situações e ganhos de velocidade progressivos.

As respostas do conjunto motriz estão vinculadas aos modos de condução, selecionáveis em comando rotativo na consola central: o ‘ECO’ privilegia os consumos, mas penaliza em demasia as prestações, sendo o modo ‘Auto’ o mais útil em condução diária. Para fora de estrada, há programas para areia e lama (‘Mud/Sand’) ou neve (‘Snow’), além do mais específico ‘Off-Road’ que ‘força’ a entrega da potência aos dois eixos para obstáculos mais desafiantes (os dados de inclinação e de potência surgem nos ecrãs a bordo). Aliás, o escalonamento da caixa manual com as duas primeiras relações curtas também parece orientado para o lado TT.
O desempenho geral positivo é ainda suportado por um amortecimento equilibrado entre conforto e agilidade, superando bem o mau piso ao mesmo tempo que controla de forma eficaz o rolamento da carroçaria. O consumo medido no ensaio (6,9 l/100 km) não chega ao valor anunciado (6,1 l/100 km), mas a eficiência é digna de registo.
Por fim, o equipamento da versão Extreme é muito completo e aventureiro (ver lista), por preço abaixo dos 30.000 €, não tendo assim muito rivais. A versão ensaiada cifrava-se em 31.715 €.
Texto Miguel Silva Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
O Bigster não foge à receita de ‘valor justo’ da Dacia, com argumentos muito fortes na robustez geral, espaço, bagageira e versatilidade fora de estrada nesta versão 4×4, a par de motorização progressiva e satisfatória no dia-a-dia. O interior pode não ter os acabamentos de alguns rivais, mas o Bigster demonstra virtudes que são incontornáveis, como a relação preço/equipamento quase única e a competência familiar.
FICHA TÉCNICA
DACIA BIGSTER EXTREME 1.2 MILD HYBRID 130 4X4
TIPO DE MOTOR Gasolina, 3 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.199 cm3
POTÊNCIA 130 CV às 5.500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 230 Nm às 2.250 rpm
TRANSMISSÃO Integral, caixa manual 6 velocidades
V. MÁXIMA 180 km/h
ACELERAÇÃO 11,2 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 6,1 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 137 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.570 / 1.812 / 1.710 mm
PNEUS 215/60 R18
PESO 1.503 kg
BAGAGEIRA 556-1.853 l
PREÇO 29.550 €
GAMA DESDE 24.550 €
I. CIRCULAÇÃO (IUC) 111,46 €
LANÇAMENTO Maio de 2025





















