A VW pretende reduzir novamente a sua capacidade de produção anual, desta vez em mais um milhão de veículos. A confirmação foi feita pelo CEO Oliver Blume à revista alemã “Manager Magazin”.
Com este novo corte, a meta global do grupo passa a ser de nove milhões de unidades por ano, um recuo significativo face ao objetivo inicial de 12 milhões.

Segundo Blume, o excesso de capacidade tornou‑se “insustentável a longo prazo” e os volumes planeados no passado já não refletem a realidade atual do mercado. Em 2024, o grupo vendeu cerca de nove milhões de veículos, mas manteve uma capacidade instalada para 12 milhões — um desequilíbrio que resultou numa margem operacional de apenas 2,8%, insuficiente para financiar os investimentos estratégicos da empresa.
Menos volume, mais rentabilidade
A VW stá a abandonar a lógica de crescimento em volume e a focar‑se em margens mais elevadas. O objetivo é atingir 8 a 10% de rentabilidade até 2030, acompanhado de uma redução de 20% nos custos totais.
Os cortes já começaram, 1 milhão de unidades foram eliminadas na China, o mercado onde a procura mais caiu. Além disso, também um 1 milhão será retirado da Europa, com a Audi a partilhar o impacto com a marca VW.
Oliver Blume foi direto ao identificar as pressões que afetam o grupo: tarifas nos EUA, forte concorrência na China, retração do mercado europeu e instabilidade geopolítica, incluindo a guerra no Médio Oriente, o que segundo o CEO da VW constitui “a nova normalidade”.

Menos modelos
Para além do corte na capacidade de produção anual, a VW confirmou ainda que irá reduzir o seu portefólio global de cerca de 150 modelos para menos de 100, simplificando a produção entre marcas, regiões e motorizações.
O grande dilema, no entanto, está na Europa e na forma de reduzir capacidade sem encerrar fábricas Alemanha, fortemente protegidas pelos sindicatos.
A fábrica de Dresden já encerrou. Osnabrück deixará de produzir veículos no final de 2026 e poderá vir a fabricar equipamento militar para o sistema israelita Iron Dome — uma solução que Blume descreve como “inteligente”, embora dependa da aceitação dos trabalhadores e da comunidade local.

Por seu lado, as unidades dedicadas a elétricos em Emden e Zwickau, também na Alemanha, operam muito abaixo da capacidade. Zwickau, projetada para produzir com cinco modelos elétricos, deverá produzir apenas um.
Desta forma, Oliver Blume não exclui a possibilidade de vender uma fábrica europeia a um construtor chinês que procure produção local para evitar tarifas da União Europeia.
No entanto, o CEO do Grupo VW, reconhece que os elevados custos laborais e de utilização das fábricas da empresa têm afastado potenciais compradores, que preferem países como Hungria ou Turquia.
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