Toyota quer alargar ciclos de renovação para quase uma década e aposta no software para travar desvalorização.
A Toyota está a preparar mais uma mudança significativa na sua estratégia de produção. Durante décadas, a marca japonesa seguiu um ritmo bem definido: remodelava os seus modelos principais de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos. Já nos anos 2000, esse ciclo foi estendido para cerca de sete anos. Agora, segundo a imprensa especializada, o intervalo entre grandes renovações vai voltar a aumentar — desta feita, para nove anos.
Em vez de investir em novas carroçarias ou em plataformas completamente reinventadas, a Toyota aposta em atualizações de software para manter os modelos competitivos ao longo do tempo. Esta abordagem já se começou a desenhar com o mais recente Camry, que se aproximou mais de uma renovação profunda do que de uma geração totalmente nova.
De acordo com o Nikkei, esta nova estratégia permitirá à Toyota ganhar maior flexibilidade para se concentrar na eletrificação da sua gama. Ao mesmo tempo, o foco no software poderá reforçar a já sólida reputação da marca em termos de valorização na revenda — um fator cada vez mais valorizado pelos consumidores.
Entre as funcionalidades que podem ser introduzidas via software contam-se melhorias de desempenho, novas funções de assistência à condução e, potencialmente, serviços por subscrição, que poderão gerar receitas adicionais para a marca.
Ciclos mais longos, oferta mais estável
Esta decisão surge num momento em que a Toyota enfrenta dificuldades em responder à procura. Modelos como o Land Cruiser apresentam já longos tempos de espera. Neste contexto, enquanto a procura se mantiver elevada, a marca considera desnecessário redesenhar modelos que continuam a ser muito apreciados pelo público.
Ciclos de desenvolvimento mais longos poderão também contribuir para estabilizar o fornecimento, dar mais oportunidades aos compradores de adquirirem versões especiais e, ainda, abrandar a desvalorização dos veículos no mercado de usados.
















