Parece outro, mas trata-se do mesmo carro, embora com uma imagem mais fresca e potente. E continua a ser uma referência em conforto de condução. Nesta sua variante híbrida ligeira mais enérgica, convence pelo refinamento, rendimento e consumo apelativo, tanto em cidade como fora dela.

Se está à procura de um veículo compacto, lembre-se de que o Citroën C4 é um dos mais ativos do segmento e dos que oferece mais espaço por um preço competitivo. Recentemente, a meio do seu ciclo de vida (está à venda há cerca 4 anos), foi submetido a uma substancial atualização ao nível da estética, embora o carro em si seja o mesmo.
E na verdade até parece outro, pois adota um visual mais crossover fruto das mudanças introduzidas nos grupos óticos, para-choques e grelha dianteira, conferindo um aspeto mais vertical. A traseira também varia muito pouco, adicionando novos desenhos de jantes e antena tipo barbatana de tubarão num tejadilho que agora pode ser preto em opção.
Detalhes interiores
No interior há mais novidades. O volante incorpora o novo logótipo da marca de estilo retro e o painel de instrumentos, que continua digital, cresce até 7”. Por sua vez, o ecrã tátil do sistema multimédia, no tablier, mantém as 10” do anterior, mas recebe melhorias na forma de um software mais rápido, atualizações online (OTA) e o inevitável ChatGPT, além da ligação sem fios para Android Auto e Apple CarPlay.

Não é novidade de lhe dissermos que há modelos que passam perfeitamente despercebidos e há outros que se destacam por algo em particular. Pois bem, o C4 insere-se nestes últimos, porque dificilmente haverá na concorrência algum interprete mais confortável que o francês. Os bancos, já de si confortáveis, recebem um acolchoamento extra, embora continuem sem oferecer muito apoio lateral. A habitabilidade traseira é correta, com espaço suficiente para as pernas e uma cota em altura não tão favorável, enquanto a bagageira disponibiliza 380 litros, um valor correto. Ah! Mantém as carroçarias de 3 volumes C4 X e este hatchback com portão traseiro.

Passemos agora à mecânica. Sob o capô, a novidade é o facto de renunciar ao Diesel e aos motores a gasolina sem hibridização. A “nossa” unidade monta o conhecido tricilíndrico 1.2 turbo que desenvolve 145 CV, agora com corrente de distribuição em vez de correia e ciclo Miller. Inclui um sistema híbrido ligeiro de 48 V com um gerador elétrico que fornece 29 CV e uma bateria de iões de lítio de 0,89 kWh (0,43 úteis). O resultado? Maior intervenção da vertente elétrica, ao ponto de o sistema ser capaz de locomover o carro sozinho a baixa velocidade, o que se traduz num consumo mais ajustado, principalmente em cidade, além de um maior refinamento no arranque.
Precisamente, o velocímetro digital passa a azul quando se move com energia elétrica, e fá-lo mais vezes do que parece. Na cidade, até 50% do tempo, considerando paragens nos semáforos, engarrafamentos… Digamos que o sistema mild hybrid lhe assenta muito bem, pois reduz o consumo (5,5 l/100 km de média real durante o teste), incrementa o refinamento e melhora ligeiramente o desempenho.
Citroën Advanced Comfort
E sim, é igualmente cómodo porque aposta numa suspensão suave que absorve com naturalidade as irregularidades do piso, mesmo com inevitáveis oscilações da carroçaria em curva. De qualquer forma, com o trabalho dos seus amortecedores hidráulicos progressivos, que nesta segunda geração são mais firmes, passa por cima de tudo.

As prestações desta versão estão à altura da potência. A caixa automática, de dupla embraiagem e 6 velocidades, acompanha e propõe um programa manual-sequencial a partir de patilhas no volante. Por sua vez, o assistente Drive Mode permite escolher entre os perfis Eco, Normal e Sport, e a direção é suave. O que menos agrada é a sensação do pedal do travão, pouco progressivo, e a intensidade da travagem regenerativa, acentuada e que carrega tanto a bateria que, ao soltar o acelerador, quase sempre aciona a luz de travagem.
Com o acabamento Max, a dotação de série é particularmente completa. Em todo o caso, existe uma versão C4 Hybrid com 110 CV que, se for do seu agrado, começa nos 29.615 € e cujas prestações não são muito diferentes.
Texto E. Cano Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
Não parece o mesmo veículo, mas é. E isso é meritório porque basicamente o C4 passou por uma operação cosmética que foi complementada com algumas melhorias no interior. Continua a ser muito confortável e apelativo, sobretudo associado a esta variante híbrida ligeira de 48V e 145 CV, que também convence pelo seu consumo em cidade.
FICHA TÉCNICA
CITROËN C4 HYBRID 145 CV Ë-DSC6 MAX
TIPO DE MOTOR Gasolina, 3 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.199 cm³
POTÊNCIA 136 às 5.500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 230 Nm às 1.750 rpm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa auto. 6 vel. (dupla embraiagem)
SISTEMA ELÉTRICO
TIPO DE MOTOR Elétrico, síncrono de ímanes permanentes, dianteiro
POTÊNCIA 28 CV (21 kW)
BINÁRIO 55 Nm
BATERIA Iões de lítio, 0,89 kWh
SISTEMA HÍBRIDO
TIPO DE MOTOR Gasolina-Elétrico
POTÊNCIA (TOTAL) 145 CV
BINÁRIO (TOTAL) N.D.
V. MÁXIMA 210 km/h
ACELERAÇÃO 8,8 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 4,7 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 107 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.350 / 1.800 / 1.525 mm
PNEUS 195/60 R18
PESO 1.403 kg
BAGAGEIRA 380-1.250 l
PREÇO 33.915 €
GAMA DESDE 29.215 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) ????? €
LANÇAMENTO Outubro de 2024


















