Numa aposta que alia automação de ponta e preocupação com a saúde ocupacional, a Renault anunciou a integração de mais de 300 robôs humanoides na sua equipa operacional até ao final de 2026. A iniciativa, designada internamente por “Aliados Mecânicos”, promete transformar as tarefas mais pesadas das linhas de montagem em funções de maior valor acrescentado para os colaboradores humanos.
O primeiro grupo destes trabalhadores mecanizados será colocado no complexo ElectriCity, em Douai, no norte de França, unidade responsável pela produção dos modelos elétricos Megane E-Tech e Scenic E-Tech. Ao contrário dos tradicionais braços robóticos, as novas máquinas são bípedes e concebidas para se deslocarem e operarem em espaços originalmente pensados para pessoas.
Os modelos selecionados são os Calvin-40, desenvolvidos pela Wandercraft, uma startup francesa especializada em exoesqueletos inteligentes. Com capacidade para elevar até 40 quilos, estes robôs trabalharão em conjunto com os funcionários, assumindo tarefas que exigem força bruta ou movimentos repetitivos.
“Queremos que a nossa equipa se concentre no que realmente interessa: inovação, qualidade e soluções criativas. Os robôs ficarão com o trabalho pesado e repetitivo, garantindo que os nossos operadores se dedicam a funções mais relevantes e seguras”, explicou a marca em comunicado.
A parceria, que já vinha a ser preparada desde um investimento da Renault na startup em 2025, arranca com tarefas consideradas mais desgastantes do ponto de vista ergonómico. Na prática, os humanoides estão já designados para transportar componentes pesados na funilaria e elevar pneus na linha de montagem final — atividades conhecidas pelo elevado impacto na saúde física dos trabalhadores ao longo dos anos.
Com esta medida, a Renault não só acelera a automação industrial, como também indica uma nova fase na relação entre homem e máquina no chão de fábrica, onde o robô atua como um “colega de trabalho”, aliviando o esforço físico dos seres humanos.

















